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MÃE RECEBEU PERDÃO JUDICIAL

Caso Henry Borel: Jairinho é condenado a mais de 43 anos de prisão

Após 11 dias de sessões, depoimentos emocionantes e reviravoltas, júri condena o ex-vereador por homicídio, tortura e coação; mãe de Henry recebe perdão judicia

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Imagem ilustrativa da notícia Caso Henry Borel: Jairinho é condenado a mais de 43 anos de prisão camera Após 11 dias de julgamento histórico no Rio de Janeiro, Dr. Jairinho foi condenado pela morte de Henry Borel; decisão sobre Monique Medeiros divide acusação e defesa. | Divulgação

Foram quase duas semanas de tensão, testemunhos marcantes e momentos que prenderam a atenção do país. Na madrugada desta quinta-feira, chegou ao fim um dos julgamentos mais longos e acompanhados da história recente do Rio de Janeiro. O desfecho do caso Henry Borel, que chocou o Brasil desde 2021, definiu destinos opostos para os dois principais réus do processo.

O 2º Tribunal do Júri do Rio condenou Dr. Jairinho, nome político de Jairo Souza Santos Júnior, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do enteado, Henry Borel, que tinha apenas quatro anos quando morreu. A sentença foi anunciada pela juíza Elizabeth Machado Louro após 11 dias consecutivos de julgamento, considerado o mais longo já realizado no estado.

Os jurados reconheceram a responsabilidade de Jairinho pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Além da pena de prisão, ele foi condenado a pagar R$ 400 mil por danos morais ao pai do menino, Leniel Borel.

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Já Monique Medeiros, mãe de Henry, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada pelos jurados. O entendimento foi de que houve negligência, mas não intenção de matar. Ela acabou condenada apenas pela omissão diante das agressões sofridas pelo filho. Como a pena aplicada foi considerada cumprida durante o período em que permaneceu presa preventivamente, Monique recebeu perdão judicial e deixará a prisão.

A decisão, no entanto, não encerra a disputa judicial. O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que recorrerá da absolvição relacionada ao homicídio e do perdão concedido à mãe de Henry. A defesa de Jairinho também anunciou que pretende contestar a condenação nas instâncias superiores.

Onze dias de tensão e reviravoltas

O julgamento começou em meio a polêmicas. A defesa de Jairinho tentou adiar a sessão após um dos advogados sofrer um infarto dias antes da abertura dos trabalhos, mas o pedido foi negado pela Justiça. Houve troca de advogados, embates entre acusação e defesa e sucessivas discussões processuais ao longo das sessões.

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Durante o julgamento, testemunhas relataram episódios que reforçaram a tese de agressões recorrentes contra a criança. Entre elas estavam ex-namoradas de Jairinho, uma ex-babá de Henry, ex-funcionárias da casa e profissionais que participaram da investigação.

Um dos momentos mais marcantes ocorreu quando Monique, pela primeira vez, declarou acreditar que Jairinho poderia ser o responsável pela morte do filho. Já o ex-vereador manteve a versão de inocência e negou as acusações de tortura e agressões.

O caso que comoveu o país

Henry Borel morreu em março de 2021. Levado a um hospital na Barra da Tijuca, inicialmente o caso foi tratado como um suposto acidente doméstico. No entanto, exames posteriores apontaram múltiplas lesões incompatíveis com uma queda.

Laudos periciais identificaram dezenas de ferimentos provocados por ação violenta, incluindo lesões internas graves. A investigação da Polícia Civil concluiu que o menino teria sido submetido a uma rotina de agressões e tortura antes da morte.

A repercussão do caso levou à cassação do mandato de vereador de Jairinho ainda em 2021, decisão posteriormente mantida pela Justiça. Desde então, o processo passou a ser acompanhado de perto pela opinião pública, tornando-se um dos casos criminais mais emblemáticos dos últimos anos no Brasil.

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