Durante 14 meses, uma mulher de 37 anos conseguiu convencer uma família de Joinville, em Santa Catarina, de que era uma adolescente de apenas 12 anos. A farsa só veio à tona após uma parente dos responsáveis pela suposta menina desconfiar de algumas histórias contadas por ela e decidir investigar seu passado na internet.
Identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, a mulher utilizava o nome de "Gabriele" e afirmava ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos. O relato sensibilizou integrantes de uma comunidade religiosa, por meio da qual ela conheceu a família que a acolheu.
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DESCONFIANÇA LEVOU À DESCOBERTA
Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, a descoberta ocorreu quando uma parente da família encontrou reportagens antigas sobre uma mulher com características físicas semelhantes que havia aplicado golpes usando a mesma estratégia em outros estados.
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Inicialmente, o pai adotivo relutou em acreditar na possibilidade de estar sendo enganado. No entanto, ao assistir aos vídeos das reportagens, reconheceu imediatamente a pessoa que vivia em sua casa. "Ele viu que a pessoa que foi presa no Rio de Janeiro era a pessoa que estava dentro da casa dele", relatou o delegado.
Após a descoberta, a família procurou a Polícia Civil no fim de maio. Amanda foi presa no dia 2 de junho e, na última sexta-feira (5), acabou indiciada pelos crimes de falsa identidade e estelionato.
VIDA CONSTRUÍDA EM TORNO DA PERSONAGEM
Ao longo do período em que permaneceu com a família, Amanda recebeu tratamento compatível com a idade que dizia ter. Ela ganhou um quarto decorado com brinquedos infantis, participou de uma festa de aniversário de "12 anos" e chegou a receber medicamentos para emagrecimento.
Para sustentar a falsa identidade, a mulher alegava ser autista e possuir outras condições de saúde. Também justificava sua aparência adulta dizendo que havia sido obrigada por familiares a fazer uso de hormônios durante a infância.
De acordo com a investigação, Amanda mantinha comportamentos infantilizados, utilizava mamadeiras, chupetas e objetos de apego para dormir. Além disso, afinava a voz, simulava crises de pânico e demonstrava constante necessidade de atenção.
HISTÓRICO DE GOLPES EM DIVERSOS ESTADOS
A Polícia Civil informou que Amanda possui registros de ocorrências semelhantes em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Em 2023, ela já havia sido presa em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, após fingir ser uma adolescente vítima de exploração sexual e de uma suposta rede criminosa.
Agora, além do inquérito em Santa Catarina, a suspeita deverá passar por exames de sanidade mental.
VÍTIMA NO RIO RELATA EXPERIÊNCIA
Entre as pessoas enganadas por Amanda está Viviane Henriques, presidente do instituto Mães que Abençoam com Amor, no Rio de Janeiro. Segundo ela, a mulher entrou em contato pelas redes sociais afirmando ser uma menina vítima de abusos e exploração sexual. Sensibilizada, Viviane acolheu Amanda por cerca de dois meses em uma residência destinada a esse tipo de assistência.
A baixa estatura da suspeita e os relatos de violência contribuíram para que a história parecesse verdadeira. "No início, acreditamos porque pensávamos que era uma menina que havia sofrido muitos abusos. A gente não obrigava ela a conversar", contou.
Com o passar do tempo, porém, Viviane percebeu contradições nos relatos e diferenças de comportamento dependendo das pessoas com quem Amanda convivia. As suspeitas levaram a dirigente a procurar a Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Segundo ela, a fraude foi desvendada rapidamente após a análise dos antecedentes da suspeita. Viviane afirmou ainda que chegou a entrar em contato com um irmão de Amanda, mas que ele não demonstrou interesse em manter qualquer relação com a mulher.
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