A atuação de organizações criminosas dentro de estruturas públicas voltou ao centro das atenções das autoridades paulistas. Em uma nova ofensiva contra a infiltração do crime organizado em instituições do Estado, o Ministério Público de São Paulo desencadeou uma operação que resultou na prisão de três suspeitos de colaborar com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Entre os alvos estão um ex-estagiário do próprio Ministério Público, o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas e um ex-policial civil. Segundo as apurações, o grupo teria atuado como infiltrados em diferentes frentes para beneficiar integrantes da facção criminosa.
CONTEÚDO RELACIONADO
- Veja como "tia" descobriu golpista que fingiu ter 12 anos em SC
- Caso Henry Borel: babá se tornou peça-chave para condenação de Jairinho
- Canetas emagrecedoras podem provocar mudanças indesejáveis no corpo
PLANO CONTRA O PROMOTOR ESTPA ENTRE OS FOCOS DA INVESTIGAÇÃO
De acordo com o Ministério Público, um dos principais investigados teria participado da articulação de um plano para assassinar o promotor Amauri Silveira Filho, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
Quer mais notícias nacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.
As investigações apontam que, dias antes da deflagração da Operação Pronta Resposta, em 2025, o responsável direto pela execução do plano se reuniu com o chefe dos investigadores da Dise de Campinas. Vídeos apreendidos pelos agentes mostram encontros entre os suspeitos pouco antes da ação que impediu o atentado.
Além do suposto plano criminoso, os investigadores apuram o compartilhamento de informações privilegiadas por parte de agentes públicos para integrantes da organização criminosa.
PRISÕES E MANDADOS FORAM CUMPRIDOS EM DUAS CIDADES
A operação realizada nesta terça-feira (9) cumpriu três mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão nos municípios de Campinas e Cardoso, no interior paulista.
A ação contou com apoio das corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, além da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanhou diligências realizadas em escritório de advocacia.
EX-ESTAGIÁRIO TERIA USADO CESSO AO MP PARA EXTORQUIR CRIMINOSOS
Outro ponto investigado envolve um ex-estagiário do Ministério Público acusado de utilizar o acesso a sistemas internos para identificar criminosos com elevado poder financeiro.
Segundo as apurações, ele teria se infiltrado deliberadamente em uma Promotoria Criminal de Campinas com o objetivo de obter informações sigilosas. Após identificar possíveis alvos, passou a exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações e operações policiais.
O esquema contaria ainda com a participação de outros envolvidos, entre eles um policial penal e um ex-policial civil que já havia sido expulso da corporação por envolvimento em crime de extorsão mediante sequestro.
ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA TAMBÉM ENTROU NA MIRA
As investigações apontam que parte das extorsões teria sido praticada com o uso da infraestrutura de internet de um escritório de advocacia.
As autoridades agora trabalham para identificar a extensão da rede de colaboração entre agentes públicos e integrantes do PCC, além de rastrear possíveis vazamentos de informações sigilosas que possam ter beneficiado membros da facção ao longo dos últimos anos.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar