Áudios, conversas extraídas do Telegram e comprovantes de depósitos encontrados em dois celulares apreendidos pela polícia são apontados como as principais provas da investigação que levou a Justiça de São Paulo a aceitar a denúncia contra a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outras quatro pessoas. Todos passam a responder por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A decisão foi assinada pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, que classificou o conteúdo extraído dos aparelhos como a "prova nuclear" da acusação apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O material também é composto por relatórios financeiros, quebras de sigilo bancário e fiscal e análises do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
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Segundo a decisão, as mensagens permitiram aos investigadores reconstruir parte da dinâmica financeira do grupo. Para o Ministério Público, os arquivos revelam quem realizava os repasses, quais contas bancárias eram utilizadas e quem seriam os destinatários finais dos recursos investigados.
Um dos celulares analisados foi um Samsung Galaxy J5 apreendido na residência do empresário Ciro Cesar Lemos. No aparelho, os investigadores localizaram conversas no Telegram trocadas entre agosto de 2020 e abril de 2021. Ciro é apontado pela investigação como responsável por intermediar transferências de recursos de uma transportadora para contas bancárias indicadas pelo PCC, incluindo, segundo o inquérito, duas contas ligadas a Deolane Bezerra.
Entre os elementos destacados pela Justiça está um áudio em que Ciro afirma: "Trabalhei quatro anos para o Gordão e para o Narigudo." Conforme a investigação, "Gordão" seria Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, enquanto "Narigudo" seria uma referência ao próprio líder da facção.
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A denúncia também menciona mensagens de áudio enviadas a uma diarista. De acordo com o Ministério Público, o conteúdo indica que Deolane mantinha valores atribuídos ao PCC em imóveis dela e de seus filhos. A decisão, no entanto, não detalha em qual aparelho as gravações foram encontradas nem divulga a íntegra das conversas.
Em um segundo aparelho, um iPhone X apreendido na mesma operação, os investigadores encontraram conversas com Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola e uma das denunciadas. As mensagens mostram o envio de contas bancárias para recebimento de valores e o compartilhamento de comprovantes de depósitos, segundo a decisão judicial.
Para os promotores, o conjunto de provas reforça a hipótese de que familiares e pessoas de confiança dos líderes do PCC recebiam ordens para distribuir recursos obtidos por meio de uma empresa de transportes apontada como instrumento de lavagem de dinheiro. A investigação também identificou um plano para reestruturar empresas ligadas ao grupo e transferir patrimônio para os Emirados Árabes Unidos, utilizando empresas de fachada para dificultar o rastreamento dos ativos.
Ao receber a denúncia, a Justiça apenas deu início à ação penal, sem qualquer condenação dos acusados. As defesas negam as acusações. Os advogados de Marcola e de seus familiares afirmam que os denunciados refutam integralmente os fatos e sustentam que o vínculo familiar não comprova participação em crimes. Já a defesa de Deolane nega irregularidades, enquanto a de Everton de Sousa afirma que demonstrará sua inocência durante o processo.
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