O aumento recente dos ataques cibernéticos contra sistemas financeiros levou o Banco Central (BC) a estudar novas medidas de segurança para reforçar a proteção do Pix. Entre as possibilidades avaliadas pela autoridade monetária está a criação de mecanismos que restrinjam o acesso ao sistema de pagamentos instantâneos por instituições que apresentem falhas de segurança ou controles considerados inadequados.
A proposta surge após uma sequência de incidentes envolvendo principalmente fintechs, empresas de tecnologia e prestadoras de serviços que atuam como conexão entre instituições financeiras e a infraestrutura do Banco Central. Embora o Pix seja considerado um sistema seguro, o órgão avalia que a proteção também depende da estrutura de segurança adotada por todos os participantes.
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Entre as medidas analisadas estão a criação de limites para valores e horários de transações, o bloqueio do registro de novas chaves Pix por instituições consideradas de risco e até a suspensão do acesso ao sistema em situações mais graves. A intenção é adotar uma atuação preventiva para acelerar respostas diante de possíveis ameaças.
Ataques ao sistema financeiro já geram R$ 1,5 bi em perdas
A preocupação do BC aumentou após ataques que causaram grandes prejuízos nos últimos meses. Estimativas do mercado apontam que fraudes cibernéticas relacionadas ao sistema financeiro já ultrapassaram R$ 1,5 bilhão em perdas em um período de um ano, aumentando o alerta sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de proteção.
Segundo especialistas e integrantes do setor, os criminosos têm priorizado empresas menores que fazem parte da estrutura de conexão do sistema financeiro, em vez de atacar diretamente grandes bancos. Ainda de acordo com eles, essas instituições intermediárias acabam se tornando alvos por, muitas vezes, apresentarem estruturas de segurança menos robustas.
Um dos episódios que mais ganhou repercursão foi o ataque à C&M Software, ocorrido no ano passado. A empresa, que atua como intermediária tecnológica e não como instituição bancária, teve os sistemas invadidos, em um caso que resultou no desvio de cerca de R$ 800 milhões e expôs os riscos existentes nos elos que integram o Pix.
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Mesmo com o reforço das regras de segurança cibernética promovido pelo Banco Central ao longo de 2025, novos episódios continuaram sendo registrados. Em junho deste ano, uma fintech sofreu uma tentativa de ataque hacker, levando o BC a emitir um alerta aos participantes do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI). A MagaluPay, da varejista Magazine Luiza, também foi alvo de uma tentativa de invasão.
Entenda as mudanças em discussão
A proposta em discussão prevê uma diferenciação entre as instituições participantes do Pix. Empresas que demonstrarem elevados padrões de segurança poderão manter o acesso completo ao sistema, enquanto aquelas que apresentarem controles considerados inadequados poderão operar com restrições.
Para o Banco Central, a medida tem como objetivo elevar o nível mínimo de proteção do sistema e incentivar investimentos em tecnologia, auditorias e prevenção contra ataques. A intenção é reduzir riscos sem prejudicar a inovação e a competitividade que ajudaram a consolidar o Pix como um dos principais meios de pagamento do país.
Durante um evento promovido pelo BC neste ano, o diretor de Administração da instituição, Rodrigo Teixeira, destacou que sistemas como o Pix e o Sistema de Transferência de Reservas (STR) se tornaram essenciais para a economia brasileira, mas também ampliaram a exposição a riscos. Já o diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, afirmou que a segurança cibernética seguirá como prioridade da instituição, com foco no mapeamento de riscos e na implementação de controles que sejam testados de forma periódica.
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