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OPERAÇÃO NARCISO

Megaperação mira fabricantes de anabolizantes clandestinos no Brasil

Ação da Polícia Civil do DF nesta quarta-feira (12/08), cumpre 45 mandados de prisão e 50 de busca contra grupo suspeito de fabricar e distribuir anabolizantes.

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Imagem ilustrativa da notícia Megaperação mira fabricantes de anabolizantes clandestinos no Brasil camera A Operação Narciso apreendeu 11 veículos de luxo e bloqueou R$ 32 milhões em bens e valores de investigados. | Reprodução/PCDF

Uma operação contra anabolizantes clandestinos foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (12) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Batizada de Operação Narciso, a ação investiga uma organização criminosa suspeita de produzir, distribuir, promover e escoar anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos adulterados para diferentes regiões do país. Ao todo, a Justiça autorizou 45 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão contra pessoas físicas e empresas ligadas ao esquema.

Além das prisões e buscas, os investigadores conseguiram o bloqueio de R$ 32 milhões em contas bancárias, instituições financeiras e empresas relacionadas ao grupo suspeito. A Justiça também determinou o sequestro de 11 veículos de luxo.

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BENS DE ALTO VALOR SÃO APREENDIDOS

Onze veículos, incluindo carros de alto padrão, caminhonetes, SUV e uma motocicleta de alta cilindrada, foram apreendidos durante a Operação Narciso.
📷 Onze veículos, incluindo carros de alto padrão, caminhonetes, SUV e uma motocicleta de alta cilindrada, foram apreendidos durante a Operação Narciso. |Reprodução/PCDF

Entre os veículos apreendidos estão um modelo elétrico de uma fabricante alemã, um carro esportivo, duas berlinas de marcas premium europeias, duas caminhonetes de grande porte, um SUV e uma motocicleta de alta cilindrada. A decisão judicial permite ainda que outros bens móveis de alto valor encontrados durante o cumprimento das ordens sejam apreendidos.

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A ofensiva também atingiu 13 estabelecimentos comerciais e laboratórios de manipulação, que tiveram as atividades suspensas e foram fechados por determinação judicial.

Outro braço do esquema funcionava nas redes sociais. 22 perfis usados para anunciar os produtos e conquistar consumidores foram bloqueados, com determinação para que as páginas fossem excluídas das plataformas.

PRODUÇÃO OCORRIA EM LOCAIS IMPROVISADOS

De acordo com a investigação, a estrutura criminosa começou a ser desvendada após uma operação de busca na residência de um dos suspeitos, apontado como integrante da liderança de um dos núcleos.

No celular apreendido durante a diligência, os policiais encontraram um grande volume de mensagens que, segundo a PCDF, ajudou a revelar como a organização era dividida e como seus diferentes núcleos atuavam.

Os investigadores descobriram que hormônios, diuréticos e estimulantes eram produzidos em casas e depósitos improvisados, sem procedimentos adequados para garantir esterilidade, pureza ou segurança sanitária dos produtos.

Depois da fabricação, o grupo utilizava estratégias para tentar conferir aparência de legitimidade às mercadorias.

RÓTULOS SIMULAVAM PRODUTOS IMPORTADOS

As embalagens recebiam nomes em idiomas estrangeiros e bandeiras de outros países. Segundo a polícia, a intenção era criar a aparência de que os produtos haviam sido fabricados ou importados por laboratórios estrangeiros.

Em alguns casos, os criminosos reproduziam marcas já conhecidas no mercado. Em outros, utilizavam referências a supostos laboratórios que não existiam.

A cadeia de produção e comercialização envolvia pessoas de diferentes profissões. Designers eram responsáveis pela identidade visual das marcas clandestinas, enquanto nutricionistas e treinadores recomendavam o consumo das substâncias e davam respaldo à comercialização.

A investigação também identificou a participação de médicos veterinários, que seriam responsáveis por emitir receitas falsas utilizadas na aquisição de medicamentos de uso controlado em estabelecimentos agropecuários.

Uma gráfica também teria papel específico na operação. O estabelecimento produzia, sob encomenda, rótulos e embalagens para os produtos clandestinos. Para dificultar uma eventual investigação, os arquivos utilizados na impressão eram apagados das máquinas.

REDES SOCIAIS ERAM USADAS PARA VENDER PRODUTOS

Organização divulgava e vendia os anabolizantes clandestinos pelas redes sociais.
📷 Organização divulgava e vendia os anabolizantes clandestinos pelas redes sociais. |Reprodução/PCDF

Depois de produzidos e embalados, os anabolizantes e demais substâncias eram anunciados pela internet.

Os perfis utilizados pelo grupo serviam tanto para divulgar os produtos quanto para atrair consumidores e estimular as compras. A estratégia permitia que a organização alcançasse clientes fora das regiões onde mantinha seus pontos físicos de fabricação e armazenamento.

A atuação virtual ajudava, assim, a ampliar o alcance do esquema e contribuiu para seu caráter interestadual.

DINHEIRO PASSAVA POR CONTAS DE TERCEIROS

Print de conversa no WhatsApp entre fabricante de anabolizantes clandestinos e cliente.
📷 Print de conversa no WhatsApp entre fabricante de anabolizantes clandestinos e cliente. |Reprodução/PCDF

A investigação também identificou uma complexa estrutura montada para ocultar o dinheiro obtido com a venda das substâncias.

Segundo a PCDF, o principal núcleo da organização mantinha uma relação financeira com uma fornecedora situada em uma região de fronteira. Doleiros auxiliavam na movimentação, indicando contas de terceiros e empresas de fachada no Brasil para receber e distribuir os valores.

Os investigadores também encontraram o uso de contas bancárias e chaves Pix pertencentes a parentes dos suspeitos, que funcionariam como "laranjas" para receber pagamentos feitos pelos consumidores.

Em outra frente, uma empresa era utilizada para movimentar recursos entre diferentes estados.

APOSTAS E JOGOS TAMBÉM ENTRAVAM NA MOVIMENTAÇÃO

O esquema financeiro ia além das contas bancárias tradicionais. Conforme a investigação, os suspeitos utilizavam contas mantidas em casas de apostas e plataformas de jogos on-line.

De acordo com os investigadores, essas plataformas permitiam converter, dividir e transferir rapidamente os valores, criando novas camadas de dificuldade para o rastreamento da origem do dinheiro.

A estratégia fazia parte do mecanismo de lavagem de dinheiro identificado pela polícia.

OPERAÇÃO ALCANÇA QUATRO REGIÕES DO PAÍS

Coordenada pela Corf (Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes), a Operação Narciso mobiliza policiais em diferentes estados. A dimensão territorial das diligências levou a PCDF a classificar a organização como de atuação interestadual e transnacional.

No Distrito Federal, estavam concentradas as principais estruturas de fabricação e armazenamento. A região também reunia academias relacionadas à divulgação dos produtos e a gráfica apontada como responsável pela produção das embalagens.

Em Goiás, os investigadores identificaram depósitos usados para receber insumos na região de divisa com o Distrito Federal. As diligências também atingiram uma farmácia de manipulação ligada ao esquema e estruturas utilizadas para movimentação financeira.

LABORATÓRIO FUNCIONAVA EM IMÓVEL DE ALTO PADRÃO NA PARAÍBA

Em João Pessoa, na Paraíba, a polícia identificou uma espécie de filial do laboratório. A estrutura funcionava a partir de uma mansão alugada.Um dos líderes também mantinha uma residência de alto padrão à beira-mar, que, segundo a investigação, era utilizada dentro da estrutura criminosa. Familiares e uma parceira local ajudavam no recebimento de insumos enviados do exterior por meio do serviço postal.

Já no Paraná, as diligências se concentraram em Foz do Iguaçu, região estratégica para o esquema. Segundo a polícia, uma fornecedora instalada na área de fronteira e o marido dela coordenavam o abastecimento das substâncias destinadas a diferentes estados.

PRODUTOS TAMBÉM ERAM ENVIADOS PARA ACRE E MINAS GERAIS

A estrutura de distribuição alcançava ainda outros pontos do país. Em Rio Branco, no Acre, e Uberlândia, em Minas Gerais, foram identificadas estruturas utilizadas para o escoamento dos produtos. Essas cidades também aparecem na investigação como locais onde os suspeitos mantinham patrimônio.

Com prisões, bloqueios financeiros, apreensão de veículos, fechamento de estabelecimentos e retirada de perfis das redes sociais, a Operação Narciso busca desmontar os diferentes braços de uma organização que, segundo a Polícia Civil, combinava produção clandestina, falsificação de identidade comercial, venda pela internet, distribuição interestadual e lavagem de dinheiro.

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