Os Correios tiveram um prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 5,5% em relação à perda de R$ 2,53 bilhões em igual período de 2025.
Na comparação com o resultado negativo de R$ 3,16 bilhões observado nos primeiros três meses deste ano, o recuo foi de 24,4%. No primeiro semestre, a empresa acumula um prejuízo de R$ 5,55 bilhões.
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Esse valor é 30,4% maior em termos nominais do que o saldo negativo de R$ 4,26 bilhões registrado em igual período de 2025.
As demonstrações financeiras foram divulgadas neste sábado (29) pela estatal, que passa por um processo de reestruturação após entrar num quadro de grave crise financeira e ficar sob risco de furo no caixa.
Como as medidas de ajuste incluem a regularização de dívidas acumuladas e novos PDVs (programas de demissão voluntária), já se esperava que a empresa tivesse novos prejuízos bilionários neste ano.
Ainda assim, a melhora do resultado no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores foi vista como um sinal favorável à recuperação.
"O resultado acumulado do semestre permanece desafiador e reforça a necessidade de continuidade e execução consistente das medidas de reestruturação", disse a companhia, em nota.
Os dados do balanço mostram que os Correios conseguiram reduzir custos, principalmente com pessoal, embora suas receitas operacionais ainda tenham ficado abaixo do obtido nos primeiros seis meses de 2025.
A despesa com empregados ficou em R$ 6,9 bilhões no primeiro semestre deste ano, uma queda de 3,8% em relação a igual período do ano passado, quando o gasto somou R$ 7,2 bilhões em termos nominais.
Só no segundo trimestre, o gasto com pessoal ficou em R$ 3,5 bilhões, recuo de 4,9% em relação aos R$ 3,66 bilhões registrados de abril a junho de 2025.
A empresa destacou que a redução ocorreu mesmo diante do reajuste salarial linear de 5,1% acertado no ano passado. Contribuiu para o resultado o desligamento de 6.545 funcionários por meio de PDVs desde 2025.
A companhia também conseguiu diminuir o pagamento de multas e juros decorrentes de atrasos no recolhimento de tributos e contribuições previdenciárias.
Por outro lado, a conta de encargos de empréstimos e financiamentos ficou maior, devido ao empréstimo de R$ 12 bilhões contratado no ano passado.
Além disso, a empresa ampliou em R$ 1,28 bilhão a provisão para perdas em processos judiciais, o que acabou impactando a despesa total da companhia.
Ao todo, essa conta subiu de R$ 4,86 bilhões em dezembro de 2025 para R$ 6,1 bilhões em junho deste ano.
Do lado das receitas, o ganho líquido com vendas e serviços ficou em R$ 7,87 bilhões no primeiro semestre deste ano, uma queda de 3,9% em relação aos R$ 8,2 bilhões observados em igual período de 2025.
Apesar disso, esse valor ainda ficou R$ 202 milhões acima do que havia sido estimado no plano de recuperação da empresa.
Só no segundo trimestre, as receitas líquidas com vendas e serviços somaram R$ 4 bilhões, um recuo de 5,4% ante R$ 4,24 bilhões na mesma base de comparação.
O detalhamento mostra que os Correios continuam perdendo receitas no segmento de remessas internacionais, mas conseguiram incrementar os ganhos no setor de logística, que respondeu por um ingresso de R$ 423 milhões no primeiro semestre, mais que o dobro do observado em igual período do ano passado (R$ 205 milhões).
"A administração reconhece que a melhora operacional observada no primeiro semestre de 2026 ainda não se refletiu integralmente na geração recorrente de caixa nem na recomposição dos indicadores econômico-financeiros e patrimoniais da empresa. Dessa forma, a manutenção de níveis adequados de liquidez durante o período de maturação das medidas de reestruturação constitui elemento central da estratégia financeira adotada", afirma a companhia em seu balanço.
Sob novo comando desde o fim de setembro de 2025, quando Emmanoel Rondon assumiu a presidência da estatal, os Correios traçaram um plano de reestruturação e calcularam uma necessidade de R$ 20 bilhões para equilibrar seu caixa e recuperar as atividades da empresa. O valor foi antecipado pela Folha.
Como parte desse plano, a companhia obteve em dezembro de 2025 um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um grupo de cinco bancos, formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander.
A operação tem a União como fiadora e ajudou a dar fôlego financeiro à companhia, que vinha acumulando dívidas judiciais e com fornecedores ao mesmo tempo em que perdia receitas em meio a dificuldades na operação.
Agora, os Correios negociam um segundo crédito de R$ 7 bilhões. Além disso, o Tesouro vai incluir na proposta de Orçamento de 2027 uma previsão de aporte de R$ 6 bilhões na companhia —a injeção de dinheiro foi uma exigência dos bancos para a liberação do primeiro empréstimo.
Ainda não se sabe quando exatamente o repasse será feito, mas a empresa tem a intenção de usar boa parte dos valores para abater pagamentos dos créditos contratados, de forma a reduzir seu endividamento e evitar pressão futura sobre o caixa devido ao pagamento das prestações.
No ano passado, a empresa acumulou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, o pior desempenho já registrado pela companhia, que está com as contas no vermelho desde 2022.
A empresa já vinha penando com a deterioração de suas operações e com o descontrole sobre ações judiciais que impactam o caixa. Enquanto isso, continuou aumentando despesas, sobretudo com pessoal.
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Em 2024, os Correios sofreram um baque em suas receitas após o governo criar o programa Remessa Conforme, que buscava acelerar a liberação de encomendas vindas do exterior mediante maior controle sobre a cobrança de tributos, mas que acabou por também desobrigar a distribuição dessas remessas pelos Correios.
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