Um homem de 27 anos que caiu do 14º andar de um prédio em Londrina, no Paraná, morreu após tentar escapar pela janela de um apartamento onde, segundo a investigação, havia passado pelo menos quatro horas sendo agredido, torturado e ameaçado. A perícia da Polícia Civil do Paraná concluiu que Alexandre Rodrigues não foi empurrado pelos suspeitos e que a queda ocorreu de forma involuntária durante a tentativa de fuga.
Alexandre havia ido ao imóvel para visitar a namorada, que morava com outros cinco homens. De acordo com as investigações, quatro deles foram presos sob suspeita de participação nas agressões.
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A violência teria começado depois que os moradores passaram a acusar Alexandre de ter roubado uma câmera fotográfica profissional avaliada em R$ 10 mil. A partir da suspeita, ele teria sido espancado, ameaçado e mantido trancado em um dos quartos durante a noite anterior à queda.
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CASO CHEGOU À POLÍCIA COMO POSSÍVEL SUICÍDIO
Inicialmente, a ocorrência foi comunicada às autoridades como um possível caso de suicídio. Quando chegaram ao apartamento, entretanto, os policiais encontraram um detalhe que levantou suspeitas: a chave que trancava o cômodo de onde Alexandre teria caído estava do lado externo da porta.
A partir das primeiras verificações, testemunhas passaram a relatar aos investigadores que o jovem havia sido torturado, mantido em cárcere e agredido antes da queda.
Testemunhas e suspeitos foram encaminhados à delegacia. Segundo o delegado Miguel Chibani, dois dos investigados confessaram os crimes durante os depoimentos.
TENTATIVA DE FUGA TERMINOU EM QUEDA
Segundo a apuração policial, Alexandre conseguiu sair do quarto e tentou escapar pela janela do apartamento. Um vizinho que mora no andar abaixo contou às autoridades que viu o jovem tentando alcançar a sacada de seu imóvel.
As evidências encontradas pela perícia reforçaram a versão apresentada pela testemunha. Alexandre teria rompido uma tela de proteção enquanto tentava passar para a sacada, mas não conseguiu superar uma barreira de vidro. Na sequência, ele perdeu o equilíbrio e caiu do 14º andar.
NAMORADA ESTAVA NO APARTAMENTO
Seis pessoas estavam no imóvel: Alexandre, a namorada dele, os quatro homens investigados e outro morador, que posteriormente denunciou o caso à polícia.
Em depoimento, a namorada afirmou que presenciou parte da situação e tentou entrar no cômodo onde Alexandre estava preso. Ela relatou, porém, que foi ameaçada por um dos suspeitos. A participação dela e dos demais envolvidos continua sendo analisada pela Polícia Civil.
POLÍCIA DESCARTA HIPÓTESE DE QUE VÍTIMA TENHA SIDO JOGADA
A análise pericial não encontrou elementos que indiquem que Alexandre tenha sido lançado do prédio pelos suspeitos. Para o delegado Roberto Fernandes, responsável pelo caso, a queda ocorreu durante a tentativa de fuga. "Foi uma queda involuntária", afirmou o delegado.
O corpo de Alexandre foi localizado na manhã de 14 de agosto. A investigação continua para esclarecer a participação de cada um dos suspeitos nas agressões e nas ameaças sofridas pela vítima antes da queda.
POLÍCIA AVALIA AGRAVANTE POR MORTE
Para a Polícia Civil, o crime de tortura já está configurado com base nos depoimentos reunidos até o momento. A discussão jurídica está relacionada principalmente à forma como a morte será enquadrada.
O delegado Roberto Fernandes explicou que, caso seja considerada apenas a tortura, a pena prevista é de dois a oito anos de prisão. Se ficar comprovada a modalidade de tortura com resultado morte, a pena pode passar para oito a 16 anos.
Como a investigação aponta ainda para cárcere privado ou sequestro, poderá haver aumento adicional da pena, entre um sexto e um terço, conforme explicou o delegado. "Essa morte, ainda que não tenha ocorrido diretamente da tortura, nós entendemos que ela decorreu da situação, ou seja, da vítima tentar fugir do cativeiro", explicou ele.
A Polícia Civil agora aguarda os exames toxicológico e de medicamentos, além da continuidade das investigações, para esclarecer todos os detalhes que antecederam a queda e definir a responsabilização de cada envolvido.
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