A ministra Cármen Lúcia passou a ser vista como um possível voto decisivo em uma disputa que envolve Alexandre de Moraes e André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois ministros estão em lados diferentes de uma discussão sobre investigações relacionadas ao Banco Master e sobre os limites para apurações envolvendo integrantes da própria Corte.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, Cármen ainda não decidiu qual posição deverá adotar. A ministra teria demonstrado preocupação com a forma como os dois colegas conduziram a situação e pretende analisar os processos antes de definir seu voto.
A tensão aumentou depois que Mendonça retirou o sigilo de um documento da Polícia Federal que apresentava conversas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O material fazia parte de investigações relacionadas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Antes da reação de Moraes, Cármen chegou a telefonar para o ministro para demonstrar solidariedade diante da exposição provocada pela divulgação do relatório. No entanto, a ministra também teria ficado incomodada quando Moraes utilizou o inquérito das fake news para pedir uma investigação contra Mendonça.
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STF dividido
A disputa deixou mais evidente uma divisão entre os ministros. Moraes conta com o apoio de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Já Mendonça tem como aliados Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Edson Fachin.
Dias Toffoli não deve participar das decisões relacionadas ao Banco Master após declarar suspeição nos processos.
Nesse cenário, Cármen Lúcia pode ter um papel importante nas futuras votações. O histórico da ministra, porém, mostra que ela não costuma seguir automaticamente nenhum dos dois grupos.
Cármen acompanha Moraes em votações relacionadas à ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado, mas também defende, ao lado de Mendonça, a criação de um código de conduta para os ministros do Supremo.
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