A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu nesta terça-feira (08/09) o inquérito sobre a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, espancado em agosto, em Copacabana, na Zona Sul da capital fluminense. Ao todo, 13 pessoas foram indiciadas por envolvimento no caso, que começou com uma acusação de furto de bicicleta e terminou com a morte da vítima.
A abordagem ocorreu na noite de 11 de agosto. Já durante a madrugada do dia seguinte, Cláudio foi cercado e agredido por um grupo formado, segundo a investigação, por seguranças e entregadores. Entre as agressões, houve golpes com um pedaço de madeira, principalmente na região da cabeça.
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CICLISTA MORREU APÓS TENTATIVA DE REANIMAÇÃO
Cláudio foi socorrido e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon. A equipe médica realizou manobras de reanimação cardiopulmonar durante aproximadamente 40 minutos, mas não conseguiu reverter o quadro.
O laudo de necropsia elaborado pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou hemorragia interna, traumatismo craniano encefálico e lesões no baço e no rim esquerdo provocadas por ação contundente como causas da morte.
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A investigação ficou a cargo da 12ª DP (Copacabana), que utilizou, entre outras provas, imagens de câmeras de segurança para reconstruir a dinâmica do episódio e identificar os envolvidos.
Segundo o inquérito, a situação começou por uma questão relacionada à posse de uma bicicleta, mas evoluiu para uma sequência de agressões consideradas desproporcionais pelos investigadores.
CINCO PESSOAS RESPONDEM POR HOMICÍDIO QUALIFICADO
Com o encerramento das investigações, cinco homens foram indiciados por homicídio triplamente qualificado, em concurso de pessoas. A polícia considerou que o crime foi cometido por motivo fútil, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.
Entre os indiciados estão os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, este último também investigado por exercício ilegal da profissão. Os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva, além de Wellington Luiz Santos de Souza, também foram apontados como responsáveis pelas agressões. Davi, Jorge, Felipe e Ailton estão presos. Wellington é considerado foragido.
Outra pessoa foi indiciada por omissão de socorro, por ter presenciado as agressões sem interferir ou prestar auxílio à vítima. Uma mulher responderá por lesão corporal, após, de acordo com a investigação, entregar a Davi o pedaço de madeira utilizado no espancamento.
INVESTIGAÇÃO APONTA ESQUEMA INFORMAL DE SEGURANÇA
Além da violência contra o ciclista, a Polícia Civil identificou durante as apurações uma estrutura informal de segurança que atuava nas ruas de Copacabana.
Os investigadores apontaram que comerciantes da região faziam pagamentos periódicos a integrantes do grupo. Os valores variavam aproximadamente entre R$ 130 e R$ 150 por semana, e a arrecadação total chegava a cerca de R$ 1 mil semanais.
O inquérito concluiu que a atividade não tinha caráter eventual. Os pagamentos eram feitos informalmente, principalmente em dinheiro vivo e sem recibos ou contratos de trabalho.
Aluísio da Silva Filho, apontado como responsável por chefiar o grupo de vigilantes, está entre as sete pessoas que responderão em liberdade por contravenções previstas na Lei de Contravenção Penal. Os crimes incluem o exercício ilegal da atividade de segurança de rua e o financiamento desse tipo de serviço.
DEFESAS CONTESTAM CONCLUSÕES ANTECIPADAS
A defesa do entregador Felipe Eduardo dos Santos Silva, formada pelas advogadas Júlia Lopes e Karolina Dantas, já havia se manifestado sobre o caso em uma publicação nas redes sociais no dia 4.
As advogadas afirmaram que acompanham a investigação com rigor técnico e defenderam que a gravidade das acusações não deve resultar em conclusões antecipadas, ressaltando o direito ao contraditório e à ampla defesa. Nesta terça-feira, Júlia informou que a defesa aguarda o relatório final da delegacia para apresentar um posicionamento atualizado sobre o indiciamento de Felipe.
A defesa de Ailton José da Silva também foi procurada e informou que pretende se manifestar até o fim do dia. Até a publicação desta matéria, não haviam sido localizadas as defesas dos demais indiciados. O espaço permanece aberto para manifestações.
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