A Embratel, do empresário mexicano Carlos Slim, anunciou hoje uma oferta por até 100% das ações preferenciais da Net, empresa onde já detém 21,2% do capital total. A operação pode chegar a R$ 4,5 bilhões, caso a adesão dos acionistas seja total. Em nota, a Embratel justificou a decisão na perspectiva de "crescimento do mercado consumidor de TV por assinatura e de banda larga no país".
Mas, para um executivo do setor, a oferta tem como pano de fundo a reviravolta provocada pela junção da Portugal Telecom ao Grupo Oi e da Telefônica com Vivo, que obrigou o grupo mexicano a se mexer para manter seu espaço no disputado mercado de telecomunicações brasileiro.
O primeiro passo nessa direção viria com o aumento da participação na Net, empresa onde o grupo mexicano já detém 21,2% do capital total. A notícia fez as ações preferências da operadora de TV a cabo dispararem 13,21% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
O chefe de análise da Modal Asset, Eduardo Marques Roche, se disse surpreso com a oferta, que não era aguardada para antes da aprovação pelo Senado de mudanças na Lei do Cabo, conhecido como PLC 116 (antigo PL 29). "Essa operação não era aguardada, tanto que não vimos nenhuma movimentação com o papel no curto prazo que pudesse indicar algo nesse sentido", afirma.
Para o ex-ministro das Comunicações e sócio da Orion Consultores, a operação visa acelerar o processo de unificação dos serviços prestados pelo grupo, com um controle maior da Net pela Embratel. "Depois dessas mudanças, os mexicanos precisavam reagir e essa oferta demonstra que ele vê essa consolidação como um movimento forte", explicou.
O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, é outro que enxerga a oferta nesse contexto. Segundo ele, o empresário Carlos Slim optou por se antecipar as alterações nas regras do setor, que hoje proíbe o controle por parte de estrangeiros e a entrada de empresas de telecomunicações em operadoras de TV a cabo. Desta forma, observa Tude, a Embratel pode ganhar ao desembolsar menos pelos papéis da Net, que tendem a se valorizar após a mudança nas regras.
Tude, da Telecom, já dá o fechamento de capital da Net como certo depois de sancionada modificações na Lei do Cabo. "Assim que o PL 29 for aprovado, a Embratel deverá adquirir também as ações ordinárias", afirmou. Ele conta que já existe um acordo com a Globo para que o grupo de Slim adquira o controle da Net.
Atualmente, a Globo detém participação na Net por meio da GB Empreendimentos e Participações, que por sua vez tem 51% das ações ordinárias da Net. Outras 8,3% das ações ON da Net pertencem a Distel Holding, também controlada pela Globo Comunicação e Participações.
Para o analista sênior de telecomunicações da Frost & Sullivan, Bruno Baptistão Neto, a competição no setor já ultrapassou a barreira apenas de serviços fixo ou móvel e migrou para a oferta de pacotes integrados. "Quem ficar de fora deste movimento vai perder competitividade frente aos concorrentes", disse.
Mercado - O ex-ministro das Comunicações ressaltou ainda que o interesse pela NeT faz sentido, visto que a companhia vem crescendo muito nos últimos anos. Atualmente, a empresa detém a liderança no segmento de TV por assinatura e ocupa o segundo lugar no ranking de banda larga. Nesse segmento, o grupo Oi lidera com 37%, enquanto a NET fica com 25% e a Telefonica com 23%. "A companhia vem crescendo muito e também investindo pesado", afirmou.
A postura agressiva já rendeu frutos. Hoje, lembrou, a Net tem 3,9 milhões de clientes de TV por assinatura. Desse total, 3,1 milhões de também compram serviços de banda larga e 2,7 milhões têm telefone fixo. (AE)
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