O avanço do desmatamento e a retomada de grandes obras de infraestrutura na Amazônia estão tornando cada vez mais dramática a situação dos povos indígenas que ainda se mantêm isolados, segundo agentes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) que atuam nos Estados da região. Nem os grupos que vivem em territórios já demarcados estariam seguros.
Ontem, após o encerramento de um encontro em Porto Velho (RO), para reunir e analisar informações sobre os isolados, os agentes do Cimi divulgaram um relatório no qual qualificam como “desesperadora” a situação de alguns grupos. Os casos mais preocupantes estariam no chamado arco do desmatamento - um território que vai do sul do Estado do Amazonas ao Maranhão
Ali, “a exploração madeireira e o desmatamento, seguida da ocupação da terra pelo gado e pelos monocultivos do agronegócio” seriam as causas da expulsão dos últimos grupos de isolados cujos vestígios ainda podem ser encontrados na região.
O Cimi também afirma que a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, e de Belo Monte, no Xingu, também ameaçam os índios que vivem ali. “Os licenciamentos ignoraram a presença de grupos isolados nas suas áreas de impacto, reconhecida inclusive pela Funai”, diz o texto divulgado ontem. (AE)
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