A desaceleração das vendas de papelão ondulado nos últimos meses, principalmente em agosto, não representa um sinal de alerta para o setor, afirma o presidente da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), Ricardo Trombini. Segundo o executivo, o ritmo mais moderado de negócios no mês passado é explicado por questões macroeconômicas, que tiveram efeito pontual sobre as encomendas. Para setembro, a previsão da entidade é de que o setor volte a apresentar incremento de vendas.
"Embora o número de agosto tenha surpreendido, o mercado continua aquecido do ponto de vista de crescimento e em setembro já teremos números melhores do que em agosto", destaca Trombini em entrevista à Agência Estado. Análise prévia sinaliza que as vendas neste mês possam atingir entre 215 mil e 218 mil toneladas, em patamares semelhantes aos apurados em junho e julho.
Para os meses de outubro a dezembro, complementa o executivo, as projeções sinalizam aumentos consistentes em relação ao mesmo intervalo de 2009. Com isso, a entidade manteve a estimativa de que as vendas físicas do setor encerrarão 2010 com crescimento de aproximadamente 12% sobre o ano passado. "É natural que o crescimento de 20% na comparação anualizada e que estava em 18% caia para 15% até que chegue próximo a 12% em dezembro", explica o executivo, em referência aos números mais recentes do setor, divulgados na segunda-feira passada.
A desaceleração recente das vendas, ocasionada principalmente pela base mais forte de comparação do segundo semestre de 2009, também reflete ações adotadas pelo governo federal no final do primeiro semestre com o intuito de conter uma expansão desenfreada da economia. "O governo tomou medidas no final do primeiro quadrimestre e os resultados (do setor) vêm em linha com as medidas anunciadas de maior controle da inflação", destaca.
Trombini destaca que o cenário ainda é caracterizado pelo aumento da renda da população, pela criação de empregos, pelo crédito disponível no mercado e pelo êxito da política no controle inflacionário - que culminou inclusive com o aumento da taxa de juros. Em contrapartida, há a preocupação em relação à valorização do real, movimento que prejudica a competitividade da indústria manufatureira brasileira e, por conseguinte, pode afetar as vendas dos fabricantes de papelão.
O diretor superintendente da Irani, Péricles Druck, reforça que a situação do mercado doméstico ainda é de crescimento, e por isso as projeções em torno da expansão de vendas em 2010 foram revisadas - estavam abaixo de 10% no começo do ano e hoje já estão na casa de dois dígitos. "O cenário do mercado doméstico veio se consolidando ao longo do ano", destaca. Desde janeiro o setor apresenta recordes mensais consecutivos de vendas.
PREÇOS
Diante do ambiente favorável de negócios, e da elevação de custos em consequência do aumento dos preços da celulose, Trombini destaca que o setor ainda precisa lidar com margens mais estreitas do que as desejadas. "O setor, do ponto de vista médio, teria necessidade de (reajustar o preço) 8% a 10%", informa. No começo do mês passado, a direção da Klabin, empresa que responde por um quinto do mercado brasileiro de papelão, informou que o preço do produto poderia ser reajustado ao longo do segundo semestre. "Para o período de setembro a dezembro, é possível que haja novos aumentos entre 3% e 5%", afirmou na oportunidade o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da fabricante, Sergio Alfano. (Agência Estado)
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