A Polícia Civil investiga a morte de 11 emas no parque Zoo Safári (antigo Simba) de São Paulo. As aves de grande porte foram encontradas com pescoços cortados e cabeças arrancadas, na madrugada do último domingo, pelos funcionários do local, mas a polícia só foi avisada três dias depois. O caso ocorre seis anos depois que 56 animais foram envenenados no zoológico, que tem entrada para o Zoo Safári.
O mistério da morte das emas foi informado ontem (21) ao 83.º Distrito Policial pelo chefe daquela seção do parque, José João Gomes, de 39 anos. Gomes chegou às 12h30 ao distrito e contou aos policiais que no sábado à noite e na madrugada de domingo funcionários do antigo Simba viram "três cães vira-latas" invadirem o parque. Os cachorros teriam atacado as emas, "digerindo" os bichos. De acordo com Gomes, os funcionários tentaram impedir o ataque, mas não conseguiram. Não sobrou nenhuma ema no parque.
Na segunda-feira passada, os mesmos cães teriam sido vistos rondando um posto de saúde próximo da delegacia. Gomes tentou saber quem seria o proprietário dos cachorros, mas não conseguiu descobrir. Ele afirmou que os animais ainda estariam à solta na região.
A polícia, entretanto, acredita que é preciso apurar melhor essa versão dos funcionários. Eles querem saber se é possível que apenas três cães vira-latas consigam matar 11 emas - as maiores aves brasileiras, podendo chegar a 1,60 m e correr a até 60 km/h em situações de perigo. Policiais ouvidos pela reportagem querem saber ainda a razão da demora da Fundação Parque Zoológico de São Paulo - responsável pelo zoológico e pelo Safári - em avisar o distrito sobre as mortes.
A fundação enviou informações sobre o caso ao Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura para que sejam localizados os cães que supostamente teriam matado as aves.
HISTÓRICO - A administração do Zoológico de São Paulo já enfrentou situações de mortes inexplicadas de animais na última década. A primeira delas, em 2004, quando 73 mamíferos que habitavam principalmente o setor "extra" - fora da área de exposição ao público - morreram. O caso foi relacionado, pela diretoria e pela polícia, a um envenenamento em massa dos bichos por um remédio utilizado para ratos. Chegou-se a suspeitar da participação de funcionários nas mortes.
Entre o fim de 2004 e o início de 2005, outros 30 animais do Zoológico de São Paulo morreram por conta de uma doença rara transmitida pelos ratos - a encefalomiocardite. Os fatos - e as conclusões da perícia - foram confirmados em abril de 2007 ao Conselho Estadual do Meio Ambiente - por meio de carta. (AE)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar