Embora na capital amazonense não falte mantimentos como para os ribeirinhos isolados nos 21 municípios em estado de emergência por conta da estiagem, a seca também está mostrando um cenário desolador em Manaus. Todo tipo de lixo que, durante a cheia, na maior parte fica no fundo, agora surge explícito nos leitos secos dos igarapés. São garrafas, roupas velhas, sofás e eletrodomésticos.
A Prefeitura de Manaus informou que está recolhendo 20 toneladas de lixo diariamente nos leitos secos, com a ajuda de dragas. Mesmo assim, todos os dias qualquer morador ou turista passa pelos igarapés que cortam a cidade e se assusta com a quantidade - e diversidade - de sujeira.
Os cerca de 50 igarapés que cortam Manaus estão poluídos e os dois principais, São Raimundo e Educandos, deságuam a sujeira no rio Negro, segundo acompanhamento diário feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
"São constatados os problemas, apontados os danos ao meio ambiente e à saúde pública, mas não temos como resolver, é atribuição esquecida ou insuficiente do poder público", destacou o pesquisador do Inpa, Éfrem Jorge Godinho Ferreira.
De acordo com o subsecretário de Limpeza Pública da prefeitura, Túlio Kniphoff, 30 funcionários fazem corpo-a-corpo diário em vários pontos da cidade distribuindo folders de conscientização para que não se jogue lixo nos igarapés. "São 20 toneladas diárias e isso é muito. Mas há 4 anos era 30% mais, está havendo uma conscientização lenta, mas existe." (AE)
29/09/2010 19:07 - NG/GR/ESTIAGEM/AM
Lixo toma conta dos igarapés em Manaus
Por Liège Albuquerque
Manaus, 29 (AE) - Embora na capital amazonense não falte mantimentos como para os ribeirinhos isolados nos 21 municípios em estado de emergência por conta da estiagem, a seca também está mostrando um cenário desolador em Manaus. Todo tipo de lixo que, durante a cheia, na maior parte fica no fundo, agora surge explícito nos leitos secos dos igarapés. São garrafas, roupas velhas, sofás e eletrodomésticos.
A Prefeitura de Manaus informou que está recolhendo 20 toneladas de lixo diariamente nos leitos secos, com a ajuda de dragas. Mesmo assim, todos os dias qualquer morador ou turista passa pelos igarapés que cortam a cidade e se assusta com a quantidade - e diversidade - de sujeira.
Os cerca de 50 igarapés que cortam Manaus estão poluídos e os dois principais, São Raimundo e Educandos, deságuam a sujeira no rio Negro, segundo acompanhamento diário feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
"São constatados os problemas, apontados os danos ao meio ambiente e à saúde pública, mas não temos como resolver, é atribuição esquecida ou insuficiente do poder público", destacou o pesquisador do Inpa, Éfrem Jorge Godinho Ferreira.
De acordo com o subsecretário de Limpeza Pública da prefeitura, Túlio Kniphoff, 30 funcionários fazem corpo-a-corpo diário em vários pontos da cidade distribuindo folders de conscientização para que não se jogue lixo nos igarapés. "São 20 toneladas diárias e isso é muito. Mas há 4 anos era 30% mais, está havendo uma conscientização lenta, mas existe."
HISTÓRICO - De acordo com a historiadora Etelvina Garcia, autora de "Manaus Referências da História", no século 19 a cidade tinha um rígido Código de Posturas. Seu artigo 2º determinava que quem "deitasse lixo" nos igarapés da capital que pudesse "alterar a pureza das águas" pagava multa de 20 mil réis ou ficava quatro dias na prisão. "Era raramente desrespeitado", destacou.
As palafitas sobre os igarapés de Manaus surgiram em meados da década de 40 do século 20. Foi quando os moradores de bairros limítrofes como Educandos e São Raimundo construíam suas casas à beira dos igarapés para facilitar sua locomoção nas catraias (barcos), já que os bondes não chegavam por lá.
"Na década de 60, quando o governador Artur Reis chegou a Manaus, apavorou-se: encontrou uma cidade flutuante", contou Etelvina. "Ele construiu casas populares no bairro da Raiz, tirou as pessoas de lá."
A trégua foi até o início da Zona Franca de Manaus, em 1967, quando o desenvolvimento veio junto com um crescimento populacional e a falta de planejamento no crescimento da cidade. O fato obrigou os migrantes a se instalarem às margens dos igarapés e, pela falta de comprometimento com a cidade, a começar a usar os leitos como depósitos de lixo.
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