A quatro dias das eleições, o Ministério da Saúde anunciou investimento de R$ 98,9 milhões para cirurgias cardiovasculares. Os recursos servirão para reajustar os valores de 105 procedimentos de alta complexidade. O setor passa por crise, como o Estado noticiou em agosto, por conta da baixa remuneração.
Médicos de Goiás deixaram de realizar cirurgias cardíacas pelo SUS em dezembro e profissionais da Bahia e Rio também vinham ameaçando suspender o atendimento.
O anúncio do reajuste foi feito pelo secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, durante o 65.º Congresso Brasileiro de Cardiologia, em Belo Horizonte. O evento, com 7 mil cardiologistas inscritos, é considerado o maior do gênero na América Latina.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que o reajuste dos procedimentos chega, em alguns casos, a 227%. Com a medida, a estimativa é de que o número de cirurgias cardiovasculares na rede pública seja aumentado em 15% em um ano - foram realizados 65,4 mil procedimentos em 2009.
"Com esses investimentos, aumentaremos a remuneração dos cirurgiões cardíacos em casos como o da realização de cirurgia de ponte de safena, cujos honorários passam dos atuais R$ 1,33 mil para R$ 3,8 mil. E também permitiremos aos hospitais qualificarem a oferta de seus serviços", afirmou Beltrame.
Segundo ele, os reajustes permitirão uma valorização maior do trabalho médico. "O reajuste facilita também a fixação dos profissionais nos hospitais, até mesmo no interior", avaliou.
Crise. Mas o anúncio do reajuste não significa o fim da crise. "Estamos tentando negociar há um ano e o Ministério da Saúde alegava falta de dinheiro", afirmou o presidente da cooperativa de cirurgiões de Goiás, Wilson Mendonça Júnior.
"Agora, inesperadamente, aparece no Congresso, às vésperas da eleição, para dizer que pode dar aumento de 227%. O que queremos é a tabela da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, que prevê remuneração de R$ 6,5 mil", completou. (As informações são do Sindesspa)
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