O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou nesta quinta-feira (30), por unanimidade, o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, de 73 anos, a pagar indenização de aproximadamente R$ 415 mil aos pais da jornalista Sandra Gomide, assassinada a tiros em agosto de 2000.
Florentino Gomide e Leonilda Paziam Florentino terão direito a receber cerca de R$ 110 mil cada um, mais juros, correção monetária e ressarcimento de custas processuais, por danos morais e pelo abalo e sofrimento provocados pelo assassinato da filha.
O advogado de Pimenta Neves, José Alves de Brito Filho, diz que vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Ele alega que o jornalista, réu confesso, sobrevive com aposentadorias que rendem R$ 2,8 mil mensais e o valor estipulado configura "enriquecimento ilícito" para a família da jornalista. "Ele foi rico, mas hoje está aposentado. Vive de aposentadoria do INSS e do Banco Mundial, além de um fundo de pensão do 'Estado', onde trabalhou. É praticamente impossível pagar essa indenização", afirma.
A juíza Mariella Ferraz de Arruda Nogueira, da 39.ª Vara Cível, havia determinado pagamento de R$ 166 mil ao casal. A defesa de Pimenta Neves e da família de Sandra recorreram e hoje o TJ aumentou o valor.
O Caso
Em 1997, o jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, com 60 anos, dirigia a redação da Gazeta Mercantil, quando conheceu Sandra Gomide, de 29. Dois anos depois, já namorando com Sandra, assumiu a direção de redação do jornal O Estado de São Paulo, colocou a jovem jornalista como editora de Economia e decidiu incorporá-la ao seu patrimônio pessoal.
Inconformado com o fim do romance em maio de 2000, começou a infernizar a vida de Sandra: primeiro perseguiu-a profissionalmente, depois passou a agredi-la fisicamente, e em 20 de agosto de 2000, condenou-a a morte com um tiro nas costas e outro na cabeça.
(Agência Estado)
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