Oito professoras que trabalhavam na creche Caminho do Futuro, em São José do Rio Preto, a 440 km de São Paulo, foram condenadas ontem (05) a cumprir quatro anos, um mês e 15 dias de prisão, em regime fechado, por crime de tortura contra alunos da escola infantil.
Em novembro do ano passado, câmeras instaladas secretamente na escola, flagraram as professoras agredindo fisicamente as crianças que eram deixadas pelos pais na escola. As vítimas tinham entre dois e quatro anos de idade. As câmeras foram instaladas a pedido de funcionários da escola que tinham presenciado as agressões contra as crianças. As cenas mostram crianças sendo empurradas e jogadas ao chão. Numa delas, uma professora pega a mão de uma criança e a faz bater num coleguinha. Ouvidas, as acusadas negaram as agressões e atribuíram o comportamento ao estresse do trabalho e doenças.
A decisão é da juíza Maria Letícia Pozzi Buasi, da 4ª Vara Criminal de Rio Preto. Foram condenadas as professoras Maria Zilda da Silva, de 52 anos, Givanete Benedita Carvalho, 30, Fabíola Renata Soares, 30, Fernanda Cristina de Souza, 27, Tânia Teixeira Ribeiro, de 27, Vanessa Cesário, 21, Cássia Regina da Silva, de 30, e Tamar Fernandes Gonçalves, de 46. Na decisão, a juíza também proíbe as acusadas de exercerem funções públicas por oito anos e três meses.
A sentença agradou o Ministério Público. O promotor de Justiça Marcos Antonio Lélis Moreira, autor da denúncia contra as professoras, disse que a condenação deve servir de exemplo para que outras professoras não cometam o mesmo crime.
O advogado de defesa das professoras, Ali Mohamed Sufen, anunciou que vai recorrer da decisão ao Tribunal de Justiça. Segundo ele, as imagens não evidenciam elementos para configuração do crime de tortura. Além disso, as crianças não passaram por exames de corpo de delito. (AE)
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