Nem mesmo entre os cristãos o aborto é uma questão resolvida. Entre as correntes que formam o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) há os que condenam qualquer tipo de aborto - como a Igreja Católica Apostólica Romana -, os que aceitam os dois únicos casos legais previstos no Código Penal (risco de morte da mãe e estupro), os que o admitem apenas a primeira possibilidade e ainda os que permitem outras hipóteses.
O Grupo Estado ouviu os representantes de todas as cinco igrejas que compõem o Conic: Apostólica Romana, Anglicana do Brasil, Confissão Luterana, Síria Ortodoxa da Antioquia e Presbiteriana Unida. À exceção da Católica Romana, falaram pelas igrejas seus representantes máximos no Brasil. Pela Igreja Católica respondeu Daniel Veitel, secretário executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
“A Igreja Católica é contra qualquer tipo de aborto, até mesmo os previstos no Código Penal”, disse Daniel Veitel. “Somos também contrários à permissão de aborto no caso de fetos de anencéfalos (fetos sem cérebro), cuja questão está em debate no Supremo Tribunal Federal (STF)”, lembrou Veitel. A Igreja Católica forma a ala cristã mais empenhada na luta contra o aborto. “Somos a favor da vida. Esse é o preceito cristão”, acrescentou Veitel. Todos os dirigentes das outras igrejas cristãs também fizeram a ressalva de que têm uma orientação comum, a defesa da vida. Mas, ponto a ponto, têm posições diferentes. A que mais se diferencia na discussão desse tema é a Episcopal Anglicana.
ANGLICANA
“A defesa da vida é cláusula pétrea para nós. Mas temos de lembrar que nem por isso temos de transformar a defesa da vida num dogma. É preciso levar em conta a saúde das pessoas, tanto do ponto de vista físico quanto espiritual”, disse o reverendo-cônego Francisco de Assis da Silva, secretário-geral da Igreja Episcopal Anglicana no Brasil.
“No caso do risco de morte, a medicina tem critérios científicos para definir quando deve ou não ser feita a interrupção da gravidez. Não somos favoráveis à descriminalização total do aborto, porque criaria muita confusão. Mas não somos a favor de dogmas. Defendemos políticas públicas. Pastoralmente, não podemos aceitar que o risco de morte e a violência, como o estupro, não sejam fatores a serem considerados para a interrupção da gravidez”, disse Francisco de Assis. (Agência Estado)
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