Interventor informal dos Correios, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem (13) ao Grupo Estado que a estatal poderá sofrer mudanças após as eleições. “Está próximo o processo de sucessão, imagino que já na transição vai se discutir o que será feito ali.” Ele concluiu recentemente um relatório-diagnóstico sobre a situação da estatal, que será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro.
Entre as recomendações, está a redução do loteamento político - as diretorias regionais passariam a ser ocupadas por funcionários de carreira. Nos bastidores, as demissões do atual presidente dos Correios, David José de Matos, e do diretor comercial, Ronaldo Takahashi Araújo, são dadas como certas. Às vésperas do segundo turno, Bernardo evitou dar combustível à crise. “As pessoas atacam muito o presidente (Matos), mas é bom lembrar que ele entrou lá há três meses.”
Matos chegou ao posto pelas mãos da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, de quem é amigo. Takahashi também é ligado a ela - nos corredores, é chamado de “diretor-ministro”. Matos comandou uma licitação considerada irregular pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que resultou na contratação da empresa aérea Total por um valor R$ 2,8 milhões acima do estabelecido em edital, conforme informou o jornal O Estado de S. Paulo domingo.
A “blindagem” contra indicações políticas proposta por Bernardo não vai atingir a cúpula da estatal.
Será sugerida também a mudança no estatuto da empresa. Hoje, o presidente dos Correios preside também o conselho administrativo. A proposta é que o conselho passe a ser ocupado pelo ministro das Comunicações ou por algum secretário da pasta, a exemplo do que ocorre com as demais empresas estatais.
Outra constatação que constará no relatório é que a regulamentação sobre a prestação de serviços de transporte de carga aérea precisa ser modificada para evitar novos escândalos, como o das contratações da Total e da Master Top Linhas Aéreas (MTA) - que pagaria “taxa de sucesso” ao filho de Erenice Guerra, Israel, sobre o valor de contratos obtidos nos Correios. Hoje, os contratos são de um ano, prorrogáveis por até cinco anos, período considerado curto. (Agência Estado)
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