O nível do rio Negro baixou mais ontem (20) e já registra a segunda maior vazante (baixa das águas) em 108 anos de existência da estação de monitoramento hidrológico no Porto de Manaus.
A marca de ontem - 14,09 m - registrada pelo Serviço Geológico do Brasil só não supera a de 1963, quando chegou a 13,64m. O nível é, no entanto, a segundo maior vazante desde 1902, quando foi criada a estação.
Por causa da baixa dos rios, metade dos 62 municípios do Amazonas decretaram situação de emergência. Cidades e comunidades estão isoladas por falta de navegabilidade de igarapés e lagos, que dão acesso aos grandes rios.
A seca também provoca deslizamentos de barrancos nas margens dos rios, fenômeno chamado de terras caídas. Em Manacapuru (80 km ao centro de Manaus) equipes do Corpo de Bombeiros procuram três crianças. Elas desapareceram depois que a casa deslizou junto com um barranco no rio Solimões nesta terça.
O engenheiro hidrólogo Daniel Oliveira, 38, afirma que um novo recorde do rio Negro não é descartado. Ele disse que o Negro recebe a influência do rio Solimões, que bateu três recordes de nível entre os meses de setembro e outubro, na estação de Tabatinga.
A intensificação da estiagem nas nascentes das principais bacias dos rios da Amazônia é a apontada como causa da grande vazante. "É uma vazante acentuada provocada pela falta de chuvas nas principais bacias. O rio Negro reflete o que acontece no Solimões, então podemos ter novo recorde nos próximos dias", afirmou.
Oliveira, que trabalha no monitoramentos hidrológico há 13 anos, disse que estava emocionado, pois presenciou a maior enchente do Negro, em 2009, quando nível do rio atingiu 29,77m. (Folhapress)
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