O chanceler Celso Amorim disse ontem (26) que o Brasil participará da próxima reunião das Nações Unidas sobre o clima, em Cancún, com “posição moral” elevada, mas expectativas baixas. “Isso não quer dizer que Cancún vai ser um fracasso total, mas o nível de expectativas baixou”, comentou o ministro a menos de um mês do início da reunião, no México.
Amorim apontou a falta de uma lei de corte das emissões de carbono nos Estados Unidos como principal justificativa para o seu diagnóstico da reunião. Recentemente, o Senado dos Estados Unidos abandonou a tentativa de aprovar projeto aprovado antes por uma margem pequena de votos na Câmara dos Deputados. A resistência para reduzir as emissões de gases de efeito estufa alcançou republicanos e democratas.
Um ano depois do fiasco da conferência de Copenhague, não há nem mesmo o frisson de telefonemas entre líderes mundiais na tentativa de algum sinal para conter o aumento da temperatura do planeta.
O principal objetivo da delegação brasileira, adiantou, será evitar retrocessos e manter as negociações em aberto para um eventual acordo daqui a dois anos, quando representantes dos países se reunirem no Rio de Janeiro, 20 anos depois da Rio 94.
Decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva regulamenta o Fundo Clima, que terá R$ 226 milhões em 2011 para projetos de mitigação e adaptação aos efeitos do aquecimento global.
O COP-10
A mais importante reunião do mundo sobre biodiversidade entrará hoje (27) em sua fase decisiva, com muita coisa ainda a ser negociada. Os pontos mais críticos na agenda continuam em aberto e terão de ser fechados nos próximos três dias pelos ministros de Estado que chegaram ao Japão para o chamado “segmento de alto nível” da 10.ª Conferência das Partes (COP-10) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que termina na sexta-feira, em Nagoya.
A conferência tem três objetivos principais: definir um novo plano estratégico de ação, com metas de conservação da biodiversidade para 2020; garantir que haverá recursos suficientes para alcançar essas metas; e aprovar um protocolo internacional sobre regras de acesso e repartição de benefícios oriundos da exploração de recursos genéticos da biodiversidade - como moléculas vegetais usadas na fabricação de fármacos e cosméticos.
No caso do plano estratégico, um dos pontos críticos é a criação de áreas protegidas. Atualmente, só 13% dos ecossistemas terrestres e menos de 1% dos oceanos estão protegidos. Há propostas de aumentar essa cobertura para até 25% e 20%, respectivamente. O Brasil defende uma meta de 20% e 10%. Alguns países propõem também uma meta de zerar a perda de hábitats até 2020, enquanto que o Brasil defende uma meta de redução de 50% ou até “próximo de 100%, onde for possível”.
O país tem sido uma das vozes mais influentes nas negociações, argumentando que não faz sentido estabelecer metas se não houver um compromisso de financiamento por parte dos países desenvolvidos para colocá-las em prática, assim como a garantia de que os países em desenvolvimento serão compensados pelo uso dos recursos genéticos de sua biodiversidade. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, participa do evento e deve discursar hoje em Nagoya.
EFEITO ESTUFA
Estimativa da quantidade de gases de efeito estufa lançados na atmosfera indica que as emissões de carbono caíram 19% em quatro anos e, em 2009, registraram o menor nível desde 1995. Anunciada pelo governo a menos de um mês da próxima conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, em Cancún, no México, essa estimativa indica que o Brasil poderá cumprir até com alguma folga as metas de redução das emissões. (Agência Estado)
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