China e Europa formaram o coquetel fatal que derrubou as principais Bolsas de Valores ontem. No caso do gigante asiático, a sinalização de que Pequim vai lançar novas medidas para conter o aquecimento da economia, preocupado com a inflação do país, afetou os preços das commodities -o país é um dos grandes importadores globais. Na Europa, os problemas das chamadas “economias periféricas” -Grécia e Portugal, entre outros- voltaram afetar o humor dos investidores.
Mas os problemas americanos também permanecem no radar de analistas. “Nos EUA, a economia segue fornecendo sinais de moderada melhora, mas o novo programa de afrouxamento quantitativo do Federal Reserve ainda não foi bem digerido -nem internamente, muito menos externamente. As pressões para que a autoridade monetária reverta a política se acentuam, dando novo fôlego para o dólar em termos globais”, avalia Silvio Campos Neto, economista-chefe do banco Schahin, em relatório semanal sobre mercados.
O índice Ibovespa, que reflete os preços das ações mais negociadas, teve perdas de 1,67%, recuando para os 69.192 pontos, e quase anulando todo o ganho acumulado neste ano (alta de 0,88% desde janeiro). As Bolsas europeias amargaram seu pior tombo num dia desde o início de julho.
O giro financeiro da Bolsa brasileira foi de R$ 9,85 bilhões, inflado pelo vencimento de opções (R$ 2,85 bilhões) de ontem. A taxa de risco-país marca 180 pontos, disparando 8,4% na jornada de ontem.
Entre as principais notícias do dia, autoridades econômicas chinesas advertiram que preparam uma série de ações para conter altas dos preços consideradas indesejáveis pelo banco central desse país. Segundo a imprensa local, algumas dessas ações devem ser controles de preços e subsídios para compradores.
Pequim já deu diversos sinais de desconforto com a dinâmica atual da economia e, além de aumentar pontualmente algumas taxas de juros, aumentou a parcela dos depósitos bancários que ficam em reserva.
(Folhapress)
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