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Lula reafirma confiança total em Dilma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a sua satisfação em ter conseguido eleger uma mulher para sucedê-lo. Em discurso no Seminário Nacional do Programa de Aquisição de Alimento, em Brasília, Lula fez um apelo para que os movimentos sociais

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a sua satisfação em ter conseguido eleger uma mulher para sucedê-lo. Em discurso no Seminário Nacional do Programa de Aquisição de Alimento, em Brasília, Lula fez um apelo para que os movimentos sociais continuem apoiando o governo. “A minha confiança nela (Dilma) é total e absoluta”, afirmou. “Ela vai ser um orgulho para cada mulher, principalmente para as mulheres que não votaram nela”, acrescentou.

Segundo ele, Dilma é a consagração da luta de décadas no País. Lembrou que na década de 70 o mundo de Dilma ruiu, quando ela era uma militante de esquerda, ficou presa três anos e meio e chegou a pensar que o mundo dela tivesse acabado.

Ele também deu um conselho à presidente eleita, que não estava presente ao evento. “Dilminha, na hora do aperto, quando a coisa tiver ficando feia, não vacile, vai para perto do povo. Não tenha medo. Quando não souber o que fazer, pergunte ao povo. Na dúvida, o povo é a solução. Eu nunca tive decepção com o povo”, disse o presidente, que foi bastante aplaudido. Lula voltou a criticar a imprensa e comemorou os 80% de popularidade.

TORTURADORES

Às vésperas de encerrar o mandato, Lula decidiu fazer as primeiras críticas aos torturadores do regime militar (1964-1985). Em um evento da agricultura familiar, ele deixou de lado o tom contemporizador que marcou os discursos sobre a ditadura em seus oito anos no poder para provocar os agentes da repressão, especialmente os que torturaram a então guerrilheira Dilma Rousseff. “Quem torturou ela pensou que tinha acabado com a vida dela na política”, disse. “Agora, deve estar sendo torturado por dentro”, completou. “Se a Dilma tomou choque, o choque que esse cara está tomando por dentro é de uma grandeza que ele não imagina. Ele vê aquela menina virar mulher, presidenta da República, sem o ódio que ele tinha, mágoa e vingança.”

Ao longo dos dois mandatos, Lula não apenas tentou conciliar nos embates sobre a ditadura como tomou decisões para evitar conflitos com militares da reserva. Por ordem do presidente, a Advocacia Geral da União (AGU) recorreu três vezes da decisão da Justiça que obrigou o governo a abrir os arquivos das Forças Armadas relativos à guerrilha do Araguaia (1972-1974).

Na noite de 24 de outubro de 2004, Lula disse aos comandantes da Aeronáutica, do Exército e da Marinha, no Clube dos Oficiais da Aeronáutica, que não iria abrir arquivos, como o Estado noticiou à época. A reportagem não foi desmentida pelo Planalto. Dois anos depois, a 15 de dezembro de 2006, o presidente afirmou em entrevista coletiva no Clube do Exército que “a ditadura no Brasil não foi tão violenta como no Chile”.

Lula retomou discursos feitos em rodas de amigos à época em que era líder sindical, recheados de ironias em relação à esquerda. A uma plateia de pequenos agricultores, ele procurou apenas não generalizar: “Tem um tipo de esquerda que é a esquerda que vai ao bar, toma uma Coca-Cola e fica falando mal dos outros.” (AE)

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