Com duras críticas aos Estados Unidos e aos governantes da região nos anos 80 e 90, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o seu “testamento” para a União das Nações Sul-americanas (Unasul), bloco criado por sua iniciativa. Lula recordou a primeira reunião em Cusco (Peru), em 2004, marcada pelo “desconhecimento e desconfiança” entre os líderes. Em seguida, destacou sua percepção de que o bloco tornou-se hoje um “ator global” orgulhoso de seu crescimento e deixou de receber receituários econômicos de um “secretário de terceira categoria”.
Em discurso de 32 minutos na reunião de cúpula do bloco, Lula afirmou ter sido a Unasul palco até mesmo de “milagres da política”. Referiu-se ao abraço dado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em seu colega colombiano, Juan
Manuel Santos, logo depois de sua posse. Colômbia e Venezuela mantiveram-se em atrito constante nos últimos anos. O gesto foi imediatamente reproduzido por Chávez, enquanto Lula ainda discursava. O presidente, entretanto, ressaltou que o bloco não avançou o quanto gostaria.
“Queria dizer pra vocês uma coisa: briguem, divirjam, discutam. Se não der para tomar decisão em uma reunião, não tem problema, tomem na outra”, recomendou. “O que é importante é que não se pode abrir mão, em momento algum, de construir uma América do Sul forte, sem analfabeto, sem desnutrição, com avanço científico e tecnológico. Mas, sobretudo, uma América do Sul onde cada cidadão sul-americano tenha orgulho de ser do jeito que nós somos.”
Ao enaltecer a Unasul, Lula criticou os governantes sul-americanos das décadas de 80 e de 90 por não terem avançado na integração regional e também por terem aceitado os modelos econômicos ditados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). (AE)
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