Uma análise sobre o papel do Brasil na diplomacia mundial, preparado recentemente pelo futuro chanceler, Antonio Patriota, indica que, no governo Dilma Rousseff, o continuísmo da era Lula está mais que garantido. No texto, Patriota desenha um quadro positivo das relações com os vizinhos, elogia a “diversificação de parcerias” e defende um maior protagonismo do País na cena mundial. O Brasil, diz ele, tem características “que o habilitam a participar, com especial autoridade, nos processos de transformações internacionais em curso”.
As avaliações estão em um breve estudo - seis a sete páginas - que o secretário-geral do Itamaraty preparou em meados do ano para a revista Política Externa. Na linha do ministro Celso Amorim, ele vê o mundo envolto em “profundas e aceleradas transformações”, nas quais Brasil, Índia e África do Sul emergem como “parceiros incontornáveis” nos processos de decisão.
Cauteloso, ele traça uma linha divisória: “Podemos não saber, com precisão o que está por vir, mas sabemos identificar os elementos do passado que já não valem”. E entre esses elementos estão “os mecanismos de governança tradicionais” - leia-se, o poder de cinco ou seis potências decidirem tudo no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A análise de Patriota começa pela macropolítica: ele entende que a unipolaridade, com predomínio da superpotência americana, vem dando lugar a uma multipolaridade gerida por “estruturas de governança de caráter multilateral”. Nesse novo quadro, “a supremacia americana é vista como um processo declínio relativo”. Ele relata fracassos dos EUA no Iraque e no Afeganistão e diz que o país “não se tem revelado capaz, por si só, de produzir e moldar resultados em escala global, de acordo com os seus interesses”. (AE)
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