Racismo nas escolas, nas ruas e até mesmo no convívio familiar. Essa é a realidade que uma parcela da população vive diariamente. A campanha “Em um mundo de diferenças, enxergue a realidade”, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), está sendo lançada para alertar sobre o impacto do racismo, principalmente para as crianças.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, no Brasil, vivem 31 milhões de meninas e meninos negros e 140 mil crianças indígenas. Juntos eles representam 54,5% de todas as crianças e adolescentes brasileiros. O racismo traz impactos sociais e psicológicos para essas crianças, que podem aprender a discriminar apenas por ver essa atitude por parte dos adultos.
Fábio Atanásio, coordenador da Unicef no Pará, diz que o objetivo da campanha é mobilizar a sociedade e estabelecer parcerias para enfrentar o problema do racismo no Brasil. “O racismo é velado no País e, quando olhamos para os indicadores sociais, confirmamos isso”.
Os indicadores sociais apontam para as diferenças, que comprometem o desenvolvimento de crianças e adolescentes negros no Brasil. Das 26 milhões de crianças e adolescentes brasileiros que vivem em famílias pobres, dezessete milhões são negros. Entre eles, os índices de pobreza, mortalidade e educação, por exemplo, são piores.
As crianças e adolescentes negros são mais vulneráveis em diversos aspectos. O acesso à educação é um dos problemas enfrentados. Das 530 mil crianças de 7 a 14 anos fora da escola, 330 mil são negras e 190 mil são brancas. No Pará, a proporção de crianças negras de 4 a 6 anos de idade fora da escola é de 23,6%.
As taxas de homicídios também são mais altas na população negra. Um estudo realizado sobre o Índice de Homicídio na Adolescência (IHA) o risco de ser assassinado é 2,6 vezes maior para os adolescentes negros em relação aos brancos. A taxa de homicídios entre crianças e adolescentes (10 a 19 anos) negros no Pará é de 35% a cada 100 mil habitantes. (Diário do Pará)
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