Os advogados de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, impetraram no Supremo Tribunal Federal (STF) o Habeas Corpus (HC) 106563, com pedido de liminar, para que seja anulado o processo pelo qual responde por dois homicídios duplamente qualificados e uma tentativa de homicídio. A defesa do acusado, preso há mais de oito anos, alega excesso de prazo na prisão preventiva e irregularidade na produção das provas, colhidas por meio de interceptação telefônica.
O habeas corpus foi impetrado contra decisão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, em sessão realizada no último dia 16 de novembro, negou pedido semelhante, concluindo que “pronunciado o réu, fica superada a alegação do constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo na instrução”. No entanto, por discordar da decisão colegiada, a defesa de Fernandinho Beira-Mar recorreu ao Supremo por entender que a produção de provas contra o acusado teria ocorrido de forma ilegal, isto é, sem a competente ordem judicial.
De acordo com a defesa, o registro de transcrição de interceptação de comunicações telefônicas teria sido anexado aos autos do processo como “prova emprestada”, ou seja, extraída de outro procedimento criminal. Esse fato, no entendimento dos advogados, tornaria a prova contaminada e imprestável. “É de se salientar que a Constituição [Federal] não só considera a prova materialmente ilícita, como, também, processualmente ilegítima”, diz trecho da inicial.
Pedidos
Diante do exposto, a defesa pede ao Supremo a concessão de liminar para determinar, até o julgamento do mérito do presente habeas corpus, a suspensão do processo originário, em tramitação na Justiça do Rio de Janeiro, impedindo o julgamento do mesmo pelo Plenário do Júri. Pede também a expedição de alvará de soltura ao réu. Aponta, para tanto, a presença dos pressupostos do fumus boni iuris (fumaça do bom direito) e do periculum in mora (perigo na demora).
No mérito, os advogados solicitam ao STF o reconhecimento da nulidade das degravações das interceptações telefônicas “trazidas ao processo como prova emprestada” e do excesso de prazo para a submissão do réu a julgamento pelo plenário do Júri. Por fim, pedem que o Tribunal declare a nulidade do processo e determine “o desentranhamento das degravações das interceptações telefônicas, por ausência de autorização judicial” e o relaxamento da prisão de Beira-Mar em virtude do alegado excesso de prazo.
(As informações são do STF)
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