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Inflação e crédito afetam comércio varejista

O comércio varejista apresentou queda de 0,4% em fevereiro, em relação ao mês anterior, com ajuste sazonal - a primeira queda em nove meses, quando se consideram os índices de base fixa. A receita nominal, também com ajuste sazonal, ficou estável, por cau

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O comércio varejista apresentou queda de 0,4% em fevereiro, em relação ao mês anterior, com ajuste sazonal - a primeira queda em nove meses, quando se consideram os índices de base fixa. A receita nominal, também com ajuste sazonal, ficou estável, por causa de taxas de inflação desiguais entre os setores. No que toca ao comércio varejista ampliado, que inclui veículos e material de construção, o volume de vendas foi igual ao do mês anterior, que havia apresentado recuo de 0,3%.

Tudo indica que dois fatores estão na origem desse comportamento: as medidas macroprudenciais, que tornaram o crédito mais caro e mais difícil, e a alta dos preços.

É sempre importante dar uma atenção maior à evolução das vendas dos supermercados e de produtos alimentares, que refletem o poder aquisitivo das famílias. Nesse setor, que tem o maior peso no levantamento dos dados do comércio varejista, se registra queda de 0,3% do volume das vendas, enquanto seu valor baixou 0,4%, diferença que indica que o ramo foi, sim, afetado pela alta dos preços e, em particular, a dos produtos agropecuários.

Em compensação, as vendas de combustíveis e lubrificantes, cujos preços foram afetados apenas pela elevação do preço do álcool - o que levou a um consumo maior de gasolina -, aumentaram 0,1%, enquanto a receita se reduzia de 0,1%.

Dois setores acusam uma elevação do volume das vendas: o dos tecidos, vestuário e calçados e o dos artigos de uso pessoal e doméstico. São itens de pequeno valor que geralmente dispensam recurso ao crédito. Cumpre assinalar que não foram poupados do efeito inflacionista, o que mostra uma elevação da receita nominal superior ao volume de vendas.

Analisando o comércio varejista ampliado, verificam-se um recuo de 1,1% das vendas de veículos, que se acrescenta à forte queda de 7,2% no mês anterior, e uma redução de 1,5% do material de construção. No primeiro caso, as medidas sobre o prazo do crédito tiveram um grande efeito sobre a venda de automóveis.

Não se pode falar de crise no comércio, cujo volume de vendas cresceu 8,8% em dois meses, em relação ao mesmo período de 2010. Esse nível elevado tem sua explicação na alta do emprego e dos salários.

Todavia, a análise dos dados de fevereiro mostra a eficácia das medidas relativas ao crédito - que poderiam ter-se estendido ao prazo dos financiamentos -, mas, talvez ainda mais, a redução do poder aquisitivo da população. Seria perigoso contar com isso, pois logo haverá alta de salários, abrindo a ronda da inflação. (AE)

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