Ativista político e precursor do movimento negro no país, o ex-senador Abdias Nascimento morreu hoje (24), aos 97 anos, vítima de complicações decorrentes de diabetes. A informação foi confirmada pela fundação que ele mantinha e também por integrantes do movimento negro. Abdias estava internado há dois meses no Hospital dos Servidores do Estado, no centro do Rio.
A trajetória de vida do líder negro foi destacada pelo fundador do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), Ivanir Santos. “Foi um lutador incansável pela igualdade racial no Brasil, em defesa das comunidades negras. Tanto em suas contribuições no teatro quanto nas artes plásticas e na política, ele sempre levou à sociedade a denúncia do racismo”, frisou Ivanir.
A luta de Abdias pela instituição de cotas nas universidades foi lembrada pelo diretor executivo da organização não governamental (ONG) Educafro, Frei David dos Santos. “O Abdias deixa um legado fortíssimo. Ele tinha uma convicção: jamais o Brasil será melhor, se o negro não tiver melhores condições e oportunidades. Em 2005, quando fazíamos um protesto em frente à UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], Abdias fez questão de participar, mesmo em cadeira de rodas”, recordou Frei David, que ainda cobra da universidade maior presença de alunos negros nos cursos.
Abdias Nascimento também teve participação no jornalismo, com registro profissional desde 1947 no sindicato da categoria, conforme lembrou Angélica Basthi, da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-RJ).
“Ele foi, durante muito tempo, uma das principais – se não uma das únicas – vozes de combate ao racismo. Deixa de legado a necessidade de se dar continuidade à proposta de corrigir desigualdades com base na raça e na cor e também prosseguir com as ações e os sonhos que ele teve, de uma sociedade mais justa e mais igualitária”, disse Angélica. (Agência Brasil)
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