A oposição fará na quarta-feira nova tentativa no Senado para convocar o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a explicar seu aumento patrimonial, depois de desistir de apresentar um pedido na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) nesta terça.
O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), apresentou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) um novo requerimento que deve ser votado na quarta-feira.
Mais cedo, a oposição decidiu desistir de tentar convocar Palocci na CMA ao perceber que não teria votos suficientes para aprovar o requerimento. Por isso, a líder do PSOL e autora do pedido, senadora Marinor Brito (PA), retirou a proposta pouco antes da votação na comissão.
No Senado, quando um requerimento é rejeitado numa comissão ele só pode ser reapresentado depois de um ano. Para não perder essa possibilidade, a oposição preferiu não colocar o pedido em votação nesta terça.
"Estou retirando, porque sei que o governo continua batendo o pé para não trazer o ministro aqui. Estou retirando por razão estratégica, tem mais 11 comissões aqui e tem pedido de CPI no Congresso", argumento Marinor na comissão.
A manobra deu fôlego aos governistas que acusavam a oposição de estar fazendo guerra política. "O que interessa a setores da oposição é a manutenção dessa comissão como palco político", afirmou o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL).
Esse foi o primeiro embate entre oposição e governo no Congresso esta semana em torno de Palocci. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse à Reuters que o Executivo está preparado para "a guerra política" que visa desestabilizar a gestão da presidente Dilma Rousseff.
Há pelo menos outros cinco requerimentos da oposição nas comissões da Câmara dos Deputados para serem votados. Os partidos oposicionistas também tentam colher assinaturas suficientes para abrir uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o enriquecimento de Palocci e a atuação de sua empresa, a consultoria Projeto.
"O repentino enriquecimento nada mais foi do que velho tráfico de influência. São claros os sinais que a linha que separam o ético e o antiético, o lícito do ilícito foi quebrada", disse Marinor. (AE)
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