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EUA criticam ausência do Brasil na reunião da SICA

Os Estados Unidos emitiram ontem (20) duas discretas queixas sobre a ausência do Brasil nos esforços de combate ao narcotráfico e à violência na América Central e na África Ocidental. Em ambas as iniciativas, Washington está presente. O Brasil, ao contrár

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Os Estados Unidos emitiram ontem (20) duas discretas queixas sobre a ausência do Brasil nos esforços de combate ao narcotráfico e à violência na América Central e na África Ocidental. Em ambas as iniciativas, Washington está presente. O Brasil, ao contrário, não aderiu ao chamado Grupo de Amigos da América Central, por meio do qual os países europeus, os Estados Unidos e o Canadá tentam articular uma estratégia conjunta para acabar com as gangues e o tráfico de drogas. O Brasil igualmente se mostra omisso na iniciativa dos EUA de cooperar nessas áreas com países da África Ocidental - o destino primário da cocaína transportada pelo território brasileiro.

“A maioria da droga que passa pelo Brasil vai à África Ocidental e, eventualmente, à Europa. Isso pode mudar no futuro. O narcotráfico é bom comerciante e sempre está pronto a buscar uma oportunidade”, afirmou o embaixador William Brownfield, secretário-assistente de Estado para o Escritório Internacional de Narcóticos dos EUA, referindo-se à possibilidade de a droga alcançar o mercado americano. “Para evitar isso, será preciso uma boa colaboração entre os governos do Brasil, dos EUA e de outros países”, completou.

Segundo Brownfield, sem a participação “direta, entusiasmada e positiva” do governo brasileiro, os EUA e a África Ocidental não terão sucesso em sua iniciativa conjunta na área da segurança cidadã, que envolverá especialmente o combate ao narcotráfico. O acordo está fase inicial de negociação. O Brasil, por enquanto, não participa dessas conversas. No caso da América Central, a omissão brasileira também é percebida com reservas pelo governo americano.
Em setembro passado, em paralelo à sessão de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, houve uma reunião dos países amigos da América Central, com a adesão de novos membros. O governo brasileiro, apesar do seu ativismo em questões latino-americanas, preferiu não participar. “O Brasil tem excelente relação com países centro-americanos e com os EUA. Se quiser apostar nessa iniciativa, será bem-vindo”, afirmou ontem Arturo Valenzuela, secretário assistente de Estado para o Hemisfério Ocidental.

Na quarta-feira, na Cidade da Guatemala, será realizada a reunião de cúpula do Sistema de Integração da América Central (Sica) sobre segurança. A região se vê dominada por gangues de criminosos e pelo narcotráfico, que encontrou na rota terrestre o melhor meio de alcançar o mercado americano. A secretária de Estado Hillary estará presente e seguirá, depois, para a discussão de iniciativa similar do Mercado Comum do Caribe (Caricom), na Jamaica.

O Brasil não participa dessas conversas. No caso da América Central, a omissão brasileira também é percebida com reservas pelo governo americano. (Washington/AE)


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