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RJ: UPPs têm ordens para fazer ‘vista grossa’

Policiais militares de várias Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) denunciam uma realidade que não combina com o programa de segurança que virou propaganda do governo. Ao programa “Cidinha Livre”, da Band Rio de Janeiro, PMs disseram receber ordens su

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Policiais militares de várias Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) denunciam uma realidade que não combina com o programa de segurança que virou propaganda do governo.

Ao programa “Cidinha Livre”, da Band Rio de Janeiro, PMs disseram receber ordens superiores para fazer vista grossa para o tráfico.

“Segundo nos foi passado, nosso serviço na comunidade não está voltado para a repressão de armas, nem de drogas. Não são muitos, mas existem alguns pontos de repasse de drogas”, conta um policial que não quis se identificar.

Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame diz que não há qualquer instrução nesse sentido: “Seria um absurdo um comando dessa natureza. Só para dar uma ideia, na Cidade de Deus, depois de implantada a UPP, já foram feitas mais de 500 prisões”.

“É preciso fazer uma polícia para os policiais e para a população, não só a polícia de política”, declarou um PM de UPP, sem se identificar.

Os PMs também reclamam que mais de 200 agentes de UPPs estão sem receber, há mais de seis meses, as gratificações prometidas pelo governo.

“Assim que fomos lotados na UPP, deixamos de receber os R$ 350 que tínhamos no batalhão e não nos foi dada a gratificação de R$ 500. E isso, convivendo com um salário de R$ 700, em média”, diz uma PM.

Coordenador-geral das UPPs, coronel Robson Rodrigues diz que os salários estão garantidos: “Os policiais da UPP do Morro São João vão receber ainda este mês e os demais, em agosto”.

Além disso, em muitas comunidades, os PMs dizem ser obrigados a comprar armas não-letais com o próprio dinheiro, já que o governo não fornece. Sem armamento, temem represálias de traficantes. Eles denunciam também a situação precária das unidades.

“A base não é suficiente para atender a tropa em serviço. Temos de buscar alternativas em garagens e bares para podermos fazer até nossas necessidades. Isso é uma vergonha”, denuncia outro PM.

(BAND)

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