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Classes C e D impulsionam mercado de cartões

A ABECS (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) divulgou recentemente um estudo relatando um aumento de 20% ao ano. Para José Eduardo Manier, diretor de cartões da Lecca, esta evolução tem como principal motivação a participa

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A ABECS (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) divulgou recentemente um estudo relatando um aumento de 20% ao ano. Para José Eduardo Manier, diretor de cartões da Lecca, esta evolução tem como principal motivação a participação das classes C e D, que chegam a gastar entre R$ 2.500 e R$ 3 mil por ano.

Estima-se que haja pelo menos 600 milhões de cartões no país, um número três vezes superior do que o de pessoas. De acordo com estudos, a cada dia mais pessoas possuem acesso ao crédito, só que não aos tradicionais de grandes bancos e sim ao estilo de private label. Este tipo de instrumento tem como principal objetivo os varejistas, ou seja, são os cartões de supermercados, sites, lojas, etc.

Para José Eduardo Manier, diretor de cartões da Lecca, o private label é o melhor caminho para alcançar o público de baixa renda. “As financeiras não têm mais como esperar o consumidor ir à loja, a estratégia agora é ir atrás dos próprios varejistas. Afinal este é o grande instrumento de inclusão das classes C, D e até a E no crédito”, declarou.

No entanto, não é apenas o consumidor que consegue tirar vantagem da situação e sim os próprios meios de varejo. “Um grande mercado, quando recebe um cartão de uma empresa, como a Visa, por exemplo, ele possui certa taxa. Porém, quando ele possui o seu próprio cartão a taxa pode chegar a alguns casos a até 0% de cobrança. Não é a toa que esta prática tem ficado cada vez mais comum no comércio”, analisa Manier.

Apesar de o cartão de crédito ser um grande instrumento de compra ele também é fonte de problemas. O seu mau uso pode acarretar em dívidas cada vez maiores, principalmente para aqueles não possuem conhecimento sobre o serviço.

Os próprios cartões têm investido na política de crédito consciente, focando principalmente nas classes mais baixas. “Como se trata de um instrumento relativamente novo para essa faixa mais popular, é muito comum ver pessoas se enforcando com o serviço. Existem muitos consumidores que agem por impulso, sem pensar nas consequências, isto por causa da possibilidade de criar várias parcelas e utilizar vários cartões”, explica José Eduardo Manier.

O diretor da Lecca ainda explica que mesmo auxiliando na inclusão da classe baixa, o crédito pode ser um meio de afastamento do mercado. “Ao mesmo tempo em que é um instrumento de inserção, ele também pode evitar novos consumos, isto se for mal utilizado, gerando taxas muito elevadas”, afirma Manier que aproveita para falar da estrutura de crédito no Brasil. “Infelizmente não temos uma estrutura de crédito evoluída, comparada com muitos países possuímos juros extremamente elevados”.

Entretanto o brasileiro, diferentemente de muitos, gasta em média 25% da sua renda com crédito, em outras nações este número pode chegar a 50%, estima o diretor.

Com o conhecimento e a inclusão de praticamente todas as classes da população no crédito, a única tendência deste mercado é o crescimento podendo ultrapassar ainda mais o seu percentual anual. “Eu vejo que no universo do crédito o país ainda vai crescer muito e ainda por muitos anos, ultrapassando até mesmo o número de 20%”, finaliza José Eduardo Manier.

(eBand)

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