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Oposição vai tentar convocar ministro

O líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP), informou ontem (26) que a tentativa de convocar o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, para depor sobre as denúncias de corrupção na pasta será transferida na próxima semana para as comissões de Fi

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O líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP), informou ontem (26) que a tentativa de convocar o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, para depor sobre as denúncias de corrupção na pasta será transferida na próxima semana para as comissões de Fiscalização Financeira e Controle e Viação e Transportes da Câmara dos Deputados. Ele fez o anúncio após constatar que fracassou a iniciativa da oposição de convocar Passos por intermédio da Comissão Representativa do Congresso, responsável pelas atividades do Legislativo no período do recesso parlamentar.

Nogueira protocolou os requerimentos na terça-feira passada. Além de Passos, também seria convidado o ex-assessor do Ministério dos Transportes, Frederico Augusto de Oliveira, suspeito de envolvimento irregular nos contratos do ministério.

O líder disse que mudou de estratégia ao ser informado pela secretária-geral do Senado, Cláudia Lyra, que o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), está em São Paulo e não vai atender ao pedido. “Não vou fazer o julgamento das decisões que o presidente Sarney deve tomar”, alegou quando foi perguntado sobre a decisão do senador. “Ele tem a noção da responsabilidade do cargo que ostenta. Da minha parte estou cumprindo a responsabilidade de manifestar meu total desapontamento pela não convocação da Comissão Representativa”.

ADITAMENTO

O líder lembrou que 18 pessoas já saíram do Ministério dos Transportes e que o ministro Paulo Sérgio Passos - que substituiu Alfredo Nascimento, nomeado em 2003 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva - “assinou o aditamento de 154% das obras do ministério, num total de R$787 milhões”. “Estamos ainda diante de outros pontos como superfaturamento, desvio de verbas públicas, enriquecimento ilícito, enriquecimento de familiares, e não é possível que o Congresso Nacional não cumpra o seu papel de fiscalizar”, alegou.

Duarte Nogueira protestou pela reação do líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), no que entendeu ser “uma espécie de desdém pelo trabalho da oposição”. “Com a ironia que a liderança do governo tem usado, ele disse que não só não vão convocar a Comissão Representativa, como também não tem conhecimento da convocação da Comissão há 10 anos, apesar da convocação ter ocorrido nos últimos recessos”, afirmou.

Ele lembrou que o governo tem “problemas” não só no Ministério dos Transportes, mas também em diversas outras áreas, como a Agência Nacional de Petróleo (ANP), Ministério de Minas e Energia e Petrobras. E que por isso a oposição continuará chamando a atenção da opinião pública para que a pressão popular convença os parlamentares a apoiar uma CPI dos Transportes.

O AFILHADO

O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes em Mato Grosso, Nilton de Brito, afilhado de Luiz Antônio Pagot, pediu exoneração do cargo. Apesar de ter o nome citado na crise no Ministério dos Transportes por suposto favorecimento a seu irmão - o empresário Milton Brito, dono da Engenorte Construções, que há cerca de dois anos mantém contratos milionários com o Dnit -, ele enfatizou que o pedido foi em solidariedade à saída do ex-diretor: “Sou leal a Pagot. Ele sai, eu saio”.

“Só estou esperando a publicação no Diário Oficial da União e volto para o meu cantinho”, disse Brito ontem, enquanto limpava as gavetas. Foi na Secretaria de Infraestrutura, da qual é funcionário de carreira há 33 anos, que começou sua amizade com Pagot, em 2003, quando este assumiu. Britto não esconde que ficou magoado com a vinculação do seu nome a “tráfico de influência”. Seu único problema, diz, é ter irmão empresário. “Ele é um empresário bem-sucedido e participa de licitações como os outros. Continuará participando e, com certeza, vai ganhar outras”.

O ASSESSOR

O assessor especial do Ministério dos Transportes, Wilson Wolter Filho, foi exonerado a pedido. A portaria, assinada pela Casa Civil da Presidência, foi publicada ontem, no Diário Oficial da União. Wolter Filho assumia a chefia de gabinete do Ministério, na última alteração do comando da pasta, em decorrência das denúncias
de corrupção.

(Agência Estado)

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