Os números do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) mostram que, até o momento, a presidente Dilma Rousseff não conseguiu entregar o que vendeu na campanha eleitoral: uma forte puxada nos investimentos. E, a julgar pelo quadro político e econômico, não será possível transformar o quadro tão cedo. É o que mostra análise elaborada pelo economista Felipe Salto e pelo cientista político Rafael Cortez, ambos da consultoria Tendências.
Com base em informações colhidas na base de dados do Senado, o Siga Brasil, o estudo mostra que até o dia 27 de julho o governo pagou R$ 13,5 bilhões em despesas do PAC. Desses, R$ 11,3 bilhões, ou 83,7%, eram gastos contratados no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
São dados diferentes dos apresentados no balanço oficial do PAC divulgado na sexta-feira, mas que mostram a mesma situação. Pelos dados oficiais, foram desembolsados R$ 10,3 bilhões, dos quais R$ 8,1 bilhões ou 78,6%, são restos a pagar de Lula. A diferença ocorre porque os dados do governo não consideram os gastos com o programa Minha Casa Minha Vida, que estão na contabilidade utilizada no estudo da Tendências.
O balanço oficial do PAC traz mais uma evidência da dificuldade de investir. Os R$ 10,3 bilhões gastos de janeiro a julho deste ano representam uma queda de 1,9% em comparação com o desembolsado em igual período de 2010.
“Os números mostram que ela tem as mãos amarradas”, disse Salto. “Se ela praticamente só paga restos de exercícios anteriores, quer dizer que os gastos do PAC até agora tiveram pouca influência de programas novos adotados por iniciativa da presidente.” (Brasília/AE)
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