A possibilidade de que os 39,5 milhões de pessoas que ascenderam à classe C na última década retrocedam para os estratos D e E da população preocupa governo, analistas políticos e economistas. Batizados de a nova classe média, esses milhões de novos consumidores - que correspondem à população da Argentina - injetaram dinamismo à economia brasileira e contribuíram para a expansão de novos negócios e investimentos no País. Além do apelo econômico, essa classe emergente também é vista como estratégica no aspecto político, pois seu apoio será fundamental para definir a eleição do próximo presidente da República.
"O desempenho econômico de um governo é o principal fator que turbina qualquer aprovação política e, consequentemente, o respaldo da maioria da população", afirma Marco Antônio Carvalho Teixeira, cientista político e pesquisador da PUC e FGV de São Paulo. Na avaliação de Teixeira, é essa mesma classe média que ascendeu nos últimos anos que terá papel determinante em eleições majoritárias como a de sucessão presidencial em 2014. O governo de Dilma Rousseff está atento a este fato, tanto que a nova classe média será tema de debate na segunda-feira (8) em Brasília. O seminário "Políticas Públicas para Uma Nova Classe Média" contará com a presença de especialistas e autoridades, dentre elas a presidente Dilma.
De acordo com Ricardo Paes de Barros, titular da Secretaria de Ações Estratégicas da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) - órgão que está organizando o seminário - o objetivo do evento é discutir o perfil desse estrato da população "de forma a traçar políticas públicas específicas para o setor e impedir que a nova classe média regrida para a pobreza". Mas a preocupação maior do governo, segundo o secretário, é dar um "segundo empurrão" à nova classe média para que ela não recue. De acordo com o secretário, o primeiro empurrão foi dado pelo governo Lula e a nova administração deverá seguir nessa linha de atuação.
Um dos fatores de maior preocupação do governo é o risco de essa nova classe média perder fôlego pelas mesmas razões econômicas que a ajudaram na ascensão, já que ela é uma das mais vulneráveis à chamada volatilidade dos mercados. Economistas apontam que um dos pilares que permitiram a ascensão dessa classe foi o câmbio apreciado. Na avaliação de Luís Eduardo Assis e Marcelo Kfoury, ambos ex-integrantes dos quadros do Banco Central, muito do êxodo das famílias das classes D e E ocorreu em razão do processo de desvalorização do dólar frente ao real. Isso barateou os bens de consumo e facilitou o acesso das famílias a esses produtos.
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