Quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu que a oposição deveria voltar a atenção para a nova classe média, quatro meses atrás, o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos telefonou para o ex-professor e ex-chefe e provocou: “Já cuidamos disso aqui”. Na semana passada, ele ironizou: “A nossa sorte, no governo, é que ele está cercado de pessoas que não o compreendem”.
CRESCIMENTO
A chamada “nova classe média” do país representará 57% do eleitorado em 2014, votos suficientes para definir a sucessão de Dilma Rousseff, e detém a maior fatia do mercado de consumo, alega o ministro da SAE, fascinado com as pesquisas que encomendou. “Nosso futuro está ligado a ela, não tenho dúvida”, arrisca Franco. É com essa disposição que ele coordena o seminário “Políticas Públicas para a Nova Classe Média”, que começa hoje, em Brasília. A presidente Dilma Rousseff abrirá os trabalhos.
A prioridade do debate é buscar formas de impedir o retorno à pobreza e impedir que perca o ritmo o crescimento da população nessa faixa de renda. Desde 2003, ele foi de 46,57%.
Se o peso dos votos dos emergentes é claro, o peso do bolso não fica atrás. No cenário econômico, eles também ganharam a posição de protagonistas. Segundo cálculo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a classe média já concentra 46,24% do poder de compra dos brasileiros, à frente dos consumidores das classes A e B, com 44,12%. Diferentes metodologias calculam entre 104 milhões e 105,5 milhões o número de integrantes da classe média - algo entre 53,9% e 55% da população do País.
Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), pertencem à classe média os brasileiros com renda familiar mensal entre R$ 1.200 e R$ 5.174. O Data Popular, instituto de pesquisa dedicado ao tema, considera da classe média quem tem renda mensal entre R$ 323 e R$ 1.388 por pessoa da família, ou renda domiciliar de R$ 2.295. (Brasília/ AE)
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