Um esquema de corrupção na prefeitura de Teresópolis, ocorrido antes e depois das chuvas de janeiro, foi denunciado à CPI da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), que investiga responsabilidades e irregularidades relativas ao desastre. A denúncia, oficializada ontem pelo empresário José Ricardo de Oliveira à CPI, já havia sido feita ao Ministério Público Estadual e ao Federal.
Segundo Oliveira, sócio da empresa RW Engenharia e Consultoria, integrantes da prefeitura de Teresópolis cobravam, antes do desastre das chuvas, propina de 15% das empresas prestadoras de serviços públicos.
Depois das enchentes, a prefeitura teria passado a cobrar 50% do valor do contrato para que as empresas fossem escolhidas em contratos emergenciais e, portanto, com dispensa de licitação, para a execução de serviços como desobstrução de vias e remoção de escombros, entre outros.
O empresário relatou à CPI que procurou o Ministério Público para denunciar o esquema porque a prefeitura se recusou a pagar sua empresa pelos serviços prestados antes e depois do temporal. Ele disse que chegou a pagar R$ 100 mil de propina antes da tragédia, por contratos de obras firmados por meio de licitação.
Mas, quando a prefeitura resolveu ampliar o percentual de propina para 50%, ele decidiu retirar-se do negócio e fazer a denúncia.
Oliveira disse que prestou serviços de desobstrução de vias e remoção de escombros até o dia 28 de janeiro, pelos quais ele deveria receber R$ 1,5 milhão.
O empresário também pediu proteção policial aos ministérios públicos, por temer por sua vida e a da família. A CPI comprometeu-se a reforçar o pedido aos órgãos e à Secretaria de Segurança.
A Vital Engenharia Ambiental, do grupo Queiroz Galvão, enviou um advogado à CPI e negou a existência de cobrança de propinas envolvendo a empresa.
(BAND)
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