A queixa de descaso de uma médica em relação a um paciente do Hospital Municipal Arthur Ribeiro de Saboya, em São Paulo, não foi a primeira, segundo denúncia feita pela técnica contábil, Ana Paula Barbosa. Ana Paula conta que em julho deste ano levou o filho de dois anos ao pronto socorro após ter caído com ele. A médica Maria Cristina de Carvalho não teria examinado a criança.
“Na recepção eu fiz a ficha normalmente e aguardei. Ao sermos chamados eu estava com o bebê no colo e ela nem olhou muito bem para nós. Eu contei o que estava acontecendo e ela foi preenchendo a ficha do pedido do raio-X, mas não perguntou nada. Eu disse que, inclusive, ela poderia ver se ele se machucou, se cortou, mas ela continuou a preencher a ficha”, contou. “A médica não examinou meu filho, ela se quer se levantou da cadeira”, completou.
Ana Paula disse que ficou preocupada, pois, com a queda, a criança bateu forte com as costas e ficou desacordada. Mas, ao falar isso, a profissional “fez cara de mau humor”, descreveu. “Ela não levantou da cadeira para olhar, ela não se moveu. Dava para ver que ela estava bem nervosa, estressada no dia”, comentou.
A mãe, irritada com o descaso da médica, saiu da sala e reclamou. Depois disso, foi atendida por uma técnica. Ao sair do exame, a criança foi assistida por uma neurologista, que examinou a criança.
Revolta
Ana Paula registou uma queixa na Ouvidoria Estadual de Saúde. Segundo a Ouvidoria, a médica relatou “que como tinha especialista, deixou o exame específico para o neurocirurgião, ficando somente com a parte de pedir os exames radiográficos”.
O órgão disse ainda que isso esclarece a conduta médica, “porém, quanto à postura profissional o Serviço de Ouvidoria informa que os funcionários são orientados, constantemente, a prestar um atendimento com ética, respeito, educação e humanização com os usuários de nossos serviços, buscando a melhoria na qualidade de nossos atendimentos”.
Apesar de ter o caso esclarecido, Ana Paula não se esquece da situação que viveu. “Não sei se é porque é meu filho, mas ele bateu a cabeça e ficou desacordado...”, disse. Para ela, o descaso com que foi tratada a deixou bastante revoltada.
Outro caso
A médica Maria Cristina de Carvalho também foi personagem da denúncia de outro paciente. No dia 13 deste mês, o serralheiro Jeisivaldo Anselmo dos Santos, de 36 anos, afirmou que a médica negou atendimento e o agrediu.
De acordo com Santos, ele foi levado até o hospital por uma equipe de resgate do Corpo de Bombeiros. O paciente disse que questionou o motivo pelo qual ela não queria atendê-lo e, nesse momento, ela o agrediu.
Em depoimento à polícia, a médica alegou que também foi agredida por Santos. Mas a versão foi negada pelos bombeiros. Ela foi demitida no mesmo dia, segundo informou a Secretaria Municipal de Saúde.
A reportagem tentou contatar a médica, mas não teve sucesso até o fechamento desta matéria.
Nota
A SMS (Secretaria Municipal da Saúde) não comentou os casos envolvendo Maria Cristina de Carvalho. Apenas informou que “a médica citada pela reportagem foi demitida do hospital no dia 13. Portanto, não faz mais parte do quadro de funcionários da unidade”.
(Band)
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