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Dilma diz que o país se libertou do FMI

A presidente da República, Dilma Rousseff, disse ontem, em Curitiba, ao anunciar investimento de R$ 1 bilhão, a fundo perdido, para a construção do primeiro trecho do metrô, que isso só é possível porque o País conseguiu libertar-se da “supervisão” do

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A presidente da República, Dilma Rousseff, disse ontem, em Curitiba, ao anunciar investimento de R$ 1 bilhão, a fundo perdido, para a construção do primeiro trecho do metrô, que isso só é possível porque o País conseguiu libertar-se da “supervisão” do Fundo Monetário Internacional (FMI). “Nós sabemos o que é a supervisão do Fundo, sabemos o que é proibir que um país faça investimentos”, afirmou a uma plateia de cerca de 500 pessoas previamente cadastradas para participar do ato no salão nobre do Parque Barigui.

Segundo ela, quando o Brasil ainda estava sob a “gerência” do FMI, havia, no caso do saneamento, apenas R$ 500 milhões para investir em todo o Brasil. “Isso é o que investimos em uma cidade hoje”, acentuou. “Investir do orçamento 1 bilhão no metrô seria inimaginável.” Ela fez um apelo para que o País continue “macroeconomicamente muito sério, muito prudente e dando os passos que a gente pode dar com as nossas pernas”. “Olhando a inflação com um olho e o crescimento com o outro”, alertou.

ESPAÇO URBANO
Para a presidente, o Brasil está muito atrasado no processo de recuperação do espaço urbano, o que deveria ter sido feito nas décadas de 80 e 90. Por isso, acentuou a necessidade de utilizar todos os modais de transporte, “sem preconceitos”. Mas reconheceu que o País passou por uma turbulência nesse período, em razão da crise da dívida soberana em 1982. “Hoje, vemos a Europa passar por algo similar”, salientou. “Só saímos de fato dessa situação quando começamos a investir e conseguimos levar à classe média 40 milhões de pessoas”, destacou. “É isso que nos faz fortes, é ter um mercado interno da proporção que temos.”

Dilma registrou que hoje assina, em Porto Alegre, o Pacto do Brasil sem Miséria, com objetivo de tirar mais 16 milhões de brasileiros da pobreza extrema. Ela disse ter participado do “imenso esforço” feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de criar o Brasil com “sustentação muito forte no mercado interno”.

Presidente enfatizou bancos fortes e política fiscal
Segundo Dilma, além disso, o Brasil tem bancos fortes, política fiscal consolidada e reservas internacionais. “Nós temos condições de resistir a esse momento que foi muito grave e tem sido sistematicamente grave porque parece que não há uma convicção política uniforme entre os diferentes líderes sobre como lidar com essa crise internacional”, criticou.

A presidente, assim como o prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB), e o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), destacaram as “relações republicanas” que estão sendo mantidas entre os diferentes níveis de poderes. Segundo ela, o metrô curitibano vem consolidar a fama da cidade de ser inovadora em questão de transporte coletivo. “Queremos que a população continue tendo automóveis, que compre seu carro, mas que não seja o principal meio de transporte no cotidiano”, disse. “O metrô é um instrumento de democratização do espaço urbano.”

O Programa de Aceleração do Crescimento da Mobilidade Urbana Grandes Cidades, do governo federal, destinou R$ 1 bilhão, de um total previsto de R$ 2,25 bilhões, a fundo perdido, para o projeto do metrô. Outros R$ 750 milhões devem ser financiados com juros e condições especiais. O restante será investido pelo governo do Estado e pela prefeitura. “Sozinho ninguém tinha como fazer, mas nós três, juntos, temos como fazer”, disse a presidente.

ORÇAMENTO
O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, recomendou cautela ao Congresso na elaboração do Orçamento da União para 2012. O relatório de receitas do senador Acir Gurgacz (PDT-RO), divulgado na última terça-feira, prevê um aumento de R$ 25,6 bilhões da receita líquida, ante a previsão feita pelo Executivo.
“Temos que ter cuidado de ver até que ponto esse Orçamento vai de fato se realizar”, alertou Carvalho. “Qualquer referência ao Orçamento do ano que vem tem que ser muito cuidadosa”, afirmou o ministro. (Curitiba/AE)

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