A Comissão de Ética Pública da Presidência decidiu pedir explicações ao ministro Orlando Silva, acusado de envolvimento em esquema de corrupção. A solicitação marca uma primeira fase de trabalho, que pode culminar em investigação.
Um ofício com a solicitação será encaminhado ao ministro, que terá dez dias para se manifestar, informou o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence. “Pedimos ao ministro explicações para depois tomarmos uma decisão de prosseguir ou não na apuração do fato. É uma primeira fase, puramente de informações”, disse Pertence, após reunião da comissão no Palácio do Planalto.
No intervalo da reunião, Pertence havia dito que “talvez a coisa esteja um pouco verde”. “Acusação de suborno é sempre grave, depende de que elementos a sustentam”, afirmou.
Durante a reunião, a comissão também decidiu aprofundar as investigações sobre o ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura Milton Ortolan, acusado de envolvimento com lobista. Sobre Antonio Palocci, derrubado da Casa Civil após suspeitas sobre sua evolução patrimonial, o caso não foi discutido, porque o ministro relator não compareceu à reunião por problemas de saúde.
DEPOIMENTO
O PC do B se adiantou e marcou para hoje à tarde o depoimento do ministro Orlando Silva, em sessão conjunta de duas comissões da Câmara para explicar as denúncias de envolvimento desvio de verbas públicas do programa Segundo Tempo. Segundo a revista Veja, o esquema teria sido responsável pelo desvio cerca de R$ 40 milhões da pasta nos últimos anos.
Ao mesmo tempo em que o PC do B se apressou para agendar a ida de Orlando Silva à Câmara, o DEM e o PPS apresentaram requerimentos para ouvir os depoimentos do policial militar João Dias Ferreira e do motorista Célio Soares Pereira. Ambos foram os responsáveis pela denúncia de que o ministro faria parte do esquema de desvio de verbas na pasta. “A princípio, o local adequado para o depoimento deles é na polícia”, reagiu Osmar Júnior. (São Paulo/AE)
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