O ex-agente duplo, que trabalhava a serviço da ditadura militar (1964-1985), José Anselmo dos Santos, conhecido como cabo Anselmo, revelou em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, que pode entregar nomes de colaboradores da repressão militar em uma futura Comissão da Verdade. "Estou disposto a contar tudo desde que a Comissão da Verdade seja composta por gente tanto da direita quanto da esquerda", disse o ex-militar, que estima ter contribuído para a morte de até 200 pessoas durante o período do regime da ditadura.
Durante a entrevista, exibida nesta segunda-feira (17), na reestreia do programa "Roda Viva", o cabo Anselmo sugeriu que a comissão investigue auxiliares diretos do ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), Romeu Tuma, morto no ano passado.
Anselmo, que em outros momentos disse ter colaborado com o governo militar apenas a partir da década de 70, voltou a cobrar anistia do governo federal e um ressarcimento pelo tempo que ficou fora da Marinha. "Se houve uma anistia, a expulsão deixou de existir. Logo, esse tempo que deixei de ficar na Marinha deveria ser ressarcido", disse Anselmo. Ele vive sem identidade desde que foi expulso da Marinha por liderar uma rebelião em 1964.
O ex-militar disse que hoje em dia vive graças a recursos que recebe de três empresários. Ele não quis citar nomes.
Anselmo não deixa transparecer arrependimentos por colaborar com a ditadura, ele acreditava contribuir "para abreviar a insanidade da luta armada".
(DOL)
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