Com a economia brasileira cada vez mais desaquecida, o alto nível de estoques pode ser uma grande dor de cabeça para a indústria de transformação nos próximos meses. A indústria apurou nos meses de agosto e de setembro os maiores níveis de estoque desde maio de 2009, quando o País ainda sofria os efeitos negativos da crise global.
O levantamento foi feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da Agência Estado, com base na Sondagem da Indústria da Transformação. “Com a proximidade do Natal, será uma excelente oportunidade para a indústria desafogar seus estoques. Mas o nível está tão elevado que não sabemos se o aquecimento característico da economia no último trimestre do ano será suficiente para reverter a atual situação”, avaliou o economista da FGV, Aloísio Campelo.
De 14 gêneros industriais pesquisados, metade operou em setembro com estoques acima de suas respectivas médias históricas desde 2003. É o caso de metalúrgica; material de transporte; calçados e confecções; têxtil; química; celulose e papel; e produtos alimentares. Os níveis de estocagem dos quatro primeiros remontam aos de 2009, de acordo com o levantamento.
Operar com estoques elevados foi premissa frequente para a indústria da transformação este ano. No entanto, o cenário piorou sensivelmente a partir de julho, segundo o economista da FGV. A desaceleração econômica tornou-se mais evidente a partir do segundo semestre.
Isso pode ser percebido nas reduções de projeção de crescimento para este ano. Este mês, o Ministério da Fazenda anunciou que revisará para baixo a estimativa para a economia em 2011, de crescimento de 4,5% para até 4%. O Banco Central já prevê expansão de 3,5%, similar às estimativas de analistas do mercado financeiro.
A concorrência com importados foi um dos fatores que ajudaram a compor o cenário de estoques excessivos. Nem mesmo o curto período de alta mais intensa do dólar no fim de setembro e início de outubro foi suficiente para reparar a perda de mercado sofrida pela indústria por causa do câmbio. Isso é perceptível no levantamento da FGV: entre os pesquisados, o ramo da indústria com estoque mais elevado foi o têxtil, sensível à penetração de importados. (Agência Estado)
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