Pré-candidato do PT à prefeitura, Fernando Haddad ficou irritado ontem ao ser perguntado se não estava em atividade partidária durante o expediente de ministro da Educação. O questionamento foi feito quando ele participava de uma reunião do mandato do vereador Ítalo Cardoso, líder do PT na Câmara Municipal.
Ontem foi feriado dos servidores públicos, mas o Executivo transferiu o ponto facultativo para o dia 14, uma segunda-feira, fazendo a ponte do fim de semana com o Dia da Proclamação da República. Haddad negou que tivesse tirado o dia de folga e disse que despachou de São Paulo. “O feriado foi transferido. Eu tinha uma gravação hoje que não tive como remarcar e, por isso, fiquei”, justificou o ministro.
Haddad viajou para São Paulo na quinta-feira, para a festa de aniversário do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal defensor de sua candidatura a prefeito. A gravação da manhã de ontem, segundo Haddad, era do PT, mas não teria relação com sua candidatura. “Gravei até as 9h e fui trabalhar. Depois vim para cá (Câmara)”, disse.
Questionado sobre onde estaria trabalhando, ele afirmou que despacha de sua casa e da Unifesp, na zona sul, e ofereceu o celular para mostrar as ligações. “Como eu trabalhei sábado e domingo em Brasília, que são dias de folga, eu tirei a manhã para fazer a gravação.”
A assessoria de imprensa do MEC afirmou que “em nenhum momento Haddad se ausentou de suas funções como ministro” e que “comandou todo o processo de defesa do Enem durante o dia por telefone”.
Durante a reunião do mandato de Ítalo Cardoso, Haddad fez discurso de candidato de oposição à gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Diante de uma plateia de militantes petistas, criticou as administrações do PSDB e de Kassab na Prefeitura.
“Qual o principal projeto de São Paulo hoje? Tirar os outdoors. É esse nosso cartão de visita?”, questionou, citando a Lei Cidade Limpa, principal bandeira da primeira gestão de Kassab. “Como nós, paulistanos, vamos enfrentar o debate da globalização para atrair inteligência, economia de ponta e emprego de qualidade? Hoje nós não temos o que apresentar.”
Já ensaiando o discurso que deve pautar a candidatura do PT, seja qual for o nome escolhido pelo partido, Haddad atacou outra bandeira de Kassab: o repasse de verba municipal para os investimentos do governo do Estado na ampliação da rede de metrô “Um quilômetro de metrô por ano não vai resolver. O que falta é vigor. A locomotiva do país está anestesiada, andando com marcha lenta”, afirmou Haddad. (AE)
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