O silêncio da presidente Dilma Rousseff sobre a reforma ministerial abriu uma disputa nos bastidores pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Enquanto a bancada do PT paulista trabalha pela indicação do deputado federal Newton Lima (PT-SP), o grupo do PSB cearense tenta emplacar o ex-ministro Ciro Gomes. Já o mundo acadêmico defende uma solução técnica para o lugar do ministro Aloizio Mercadante, que já comunicou a interlocutores que será deslocado para o Ministério da Educação, no lugar de Fernando Haddad.
Em defesa de Newton, a bancada do PT argumenta que ele uniria o critério técnico ao político, já que foi reitor da Universidade Federal de São Carlos, além de ser ex-prefeito da cidade paulista. Além disso, teria respaldo de setores do mundo acadêmico.
Em conversas reservadas, Mercadante chegou a confidenciar que Dilma já teria preferência por um nome técnico, o que, na interpretação de petistas, mostra que Newton Lima está entre os cotados. Além disso, se nomeado ministro, ele abrirá uma vaga para o retorno de José Genoino (PT-SP), um dos réus no processo do mensalão, para a Câmara e primeiro suplente do partido.
Apesar do silêncio de Dilma, pelo menos uma informação já circula no centro do governo: no Palácio do Planalto há resistências à volta de Ciro ao ministério. Na avaliação de interlocutores de Dilma, ele só seria chamado se não criar problemas para a sucessão presidencial de 2014 — garantia que, afirmam os conhecedores de Ciro, ninguém conseguirá arrancar dele.
Mas até hoje, o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, não havia sido consultado sobre o tema. Setores do PSB próximos de Campos resistem à ideia do retorno de Ciro ao governo federal.
Ao mesmo tempo, o PSB já sinalizou ao Planalto que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, não vai disputar a prefeitura de Recife. E, portanto, deve ficar na Esplanada dos Ministérios. O movimento do PSB, ao anunciar a permanência de Bezerra, tem dois efeitos: evitar uma corrida do PMDB pela vaga da Integração Nacional e demonstrar ao PT interesse de costurar uma aliança na sucessão municipal em Recife.
Aliados de Campos deixam claro que Ciro não irá para o governo, se for para desalojar Bezerra. Portanto, esclarecem os socialistas, se ele conseguir uma vaga na equipe de Dilma, será para desalojar o ministro Leônidas Cristino, da Secretaria de Portos, também do PSB. (Agência Brasil)
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