Apesar da lentidão do governo nas ações de reforma agrária em 2011, o MST e os outros movimentos sociais do campo preservaram o primeiro ano da gestão de Dilma Rousseff e desaceleraram o ritmo de invasões de terra. No ano passado foram registradas 194 ocupações, 15% a menos do que em 2010, um período eleitoral e a despedida do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Comparado com os oito anos dos dois mandatos de Lula, o número de 2011 supera apenas 2009, quando ocorreram 173 invasões. E é o quarto menor volume de ocupações desde que a Ouvidoria Agrária Nacional, ligada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, iniciou esta contabilidade oficial, em 1995, há 17 anos.
A reforma agrária empacou ano passado. Somente na última semana de 2011 a presidente assinou os primeiros decretos de desapropriação de terra para criação de assentamentos. São 60 fazendas para colocar 2.735 famílias. Ao todo foram assentadas apenas 5.735 famílias em 2011. O número de acampados ainda é muito alto no país. Segundo o próprio Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), 186 mil famílias vivem à margem das estradas.
O presidente do Incra, Celso Lacerda, reconhece que o andamento da reforma agrária em 2011 foi lento, mas não entende que houve uma trégua dos movimentos sociais. Para Lacerda, as invasões diminuíram porque caiu consideravelmente o número de famílias acampadas no país do início para o final dos governos de Lula. Em 2003, eram 250 mil famílias acampadas.
- O número de famílias acampadas é bem menor que no governo Lula. Vários fatores explicam essa redução, como a geração de empregos ocorrida naquele período. Mesmo sem capacitação, os acampados conseguiram empregos, como na construção civil - disse Celso Lacerda.
- Não acredito em trégua dos movimentos sociais. Eles não estão esvaziados e nem perdendo espaço ou visibilidade. Esses setores estão insatisfeitos com o ritmo da reforma agrária. Eu também não estou satisfeito com essa velocidade. Mas, mesmo lento, as coisas estão avançando - completou o presidente do Incra.
As 194 ocupações no governo de Dilma representam um número menor que a média de invasões registradas no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de 361 casos. Também é menor que os quatro anos do segundo período de FH, que registrou 250 invasões por ano. Os dois períodos de Lula também superam as invasões na gestão Dilma Rousseff: foi uma média de 259 invasões anuais entre 2003 até o final de 2006; e 233 ocupações ano entre 2007 a 2010.
O MST poupou Dilma durante o ano, mas concentrou suas invasões em 2011 no chamado “abril vermelho”. Neste mês, ocorreram 91 invasões, que representaram 47% das 194 ocupações do ano passado. Foi o segundo abril com maior número de ocupações, sendo superado apenas pelo de 2004, quando os sem-terra supreenderam o país com 109 ocupações.
- Não acho que os movimentos arrefeceram, continuam cobrando, mas não é mais tão latente como antes, quando havia muitas invasões de prédios públicos e fechamento de estradas - disse Celso Lacerda.
Em 2011, a Ouvidoria Agrária registrou oito homicídios decorrentes de conflitos agrários. Este é o menor número de mortes no campo desde 2001, quando o governo começou a registrar esse tipo de ocorrência.
O MST continua como o principal movimento no campo e foi responsável por 60% das invasões de terra em 2011. Em nota, o MST criticou o balanço apresentado pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, que afirmou ter ocorrido um avanço expressivo na reforma agrária no ano passado. (Agência Brasil)
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