O depoimento do negociador do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), capitão Adriano Giovanini, no segundo dia de julgamento de Lindemberg Alves, causou um choque de versões. Ontem, mais de três anos após a morte de Eloá Cristina Pimentel em um conjunto habitacional de Santo André, ele continua a afirmar que um disparo no apartamento motivou a invasão do local pela Polícia Militar (PM).
Segunda-feira, a estudante Nayara Rodrigues da Silva, de 18 anos, que estava no apartamento e acabou baleada, foi categórica ao dizer que ouviu três disparos só depois da explosão de uma bomba colocada na porta pela PM. Segundo o oficial, no dia da invasão, Lindemberg começou uma espécie de despedida, dizendo que Giovanini deveria dar lugar a outro negociador, para não ser “responsabilizado pelo que ele faria”. “Com esse prenúncio, houve um disparo e a equipe resolveu invadir”, disse, lembrando que a invasão estava predeterminada para o caso de qualquer disparo. Acabou questionado pela advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, sobre o motivo de a PM não ter invadido o apartamento após outros disparos feitos por Lindemberg.
A FERRAMENTA
Giovanini ainda afirmou que a polêmica volta de Nayara ao apartamento, após ter sido liberada pelo réu, ocorreu após ordem do comando para usá-la como “ferramenta de negociação”. Mas a jovem, segundo ele, passou do ponto de segurança e acabou voltando ao apartamento. Hoje, a opinião dos jurados sobre as teses de defesa e acusação devem ser conhecidas, assim como o futuro de Lindemberg, que pela primeira vez deve apresentar sua versão. Seu interrogatório é esperado no terceiro e provável último dia do júri.
Acusação e defesa armam estratégias no tribunal
De um lado, o Ministério Público sustentará a tese de que o réu tem natureza agressiva e premeditou o assassinato da ex. De outro, a defesa tentará deslocar o foco do julgamento para a cobertura jornalística e a atuação policial e, em uma manobra arriscada, poderá afirmar que as balas que mataram Eloá não partiram da arma do acusado. Até agora, Ana Lucia se negou a revelar sua argumentação. Quando fala à imprensa, diz apenas que Lindemberg é um "bom menino", com direito à defesa. Mas promete surpresas. Segundo ela, a "verdade real" será esclarecida.
Já a promotora Daniela Hashimoto e seus assistentes já demonstraram a linha de trabalho que adotarão hoje. Nos últimos dois dias, eles reforçaram a imagem violenta do réu, classificado em plenário pelos irmãos da vítima como "um monstro" que não merece perdão. O caçula, Everton Douglas Pimentel, de 17 anos, deu detalhes da manhã de 13 de outubro de 2008, quando Lindemberg invadiu o apartamento. "Ele me ligou às 8h30, quando eu ainda estava dormindo. E pediu para ir até minha casa. Deixei, mas só porque a Eloá não estava. Depois, pediu para eu sair com ele e me largou na Estrada do Pedroso, que fica bem longe. Antes, ainda tirou meu celular. De lá, foi para minha casa." Pouco antes, o irmão mais velho, Ronickson Pimentel dos Santos, havia ressaltado a postura agressiva do réu. "Não tinha partida de futebol que não arrumasse briga. Era brigão mesmo e não deixava minha irmã sair sozinha. É um louco". (Agência Estado)
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