O presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), anunciou ontem que pretende realizar na próxima semana uma audiência pública para discutir com autoridades o incêndio que aconteceu no sábado na base da Antártica. O acidente, que deixou praticamente destruída a estação, deixou dois militares mortos.
Rollemberg pretende convidar os ministros da Defesa, Celso Amorim; e da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp; o diretor do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jefferson Simões, maior referência da ciência brasileira na Antártica, e pesquisadores envolvidos em estudos no continente.
O senador disse que o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Eduardo Braga (PMDB-AM), já concordou em realizar o encontro entre os dois colegiados. A senadora Ana Amélia (PP-RS) sugeriu ainda estender a reunião também para a comissão de Relações Exteriores, presidida por Fernando Collor (PTB-AL). Rollemberg ficou de consultá-lo.
Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente, tudo indica que o acidente decorreu de uma fatalidade. Rollemberg admitiu ter havido uma diminuição de recursos no programa no último ano, mas negou qualquer relação entre isso e o incêndio. “O volume de recursos não guarda relação com o acidente”, afirmou, ao ressaltar que o importante é manter a “regularidade” na distribuição dos recursos.
Contudo, o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), afirmou que o incêndio revela “a falta de manutenção” e “o abandono do projeto de Antártica”. “Os recursos são ínfimos para um projeto dessa importância”, criticou o líder tucano. Além de concordar com a audiência pública, Álvaro Dias apresentará um requerimento para obter informações do governo sobre o funcionamento do programa.
PESQUISAS
Dentre as diversas instituições científicas que realizavam pesquisas na Estação Comandante Ferraz estava o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA). Em atividade desde 2009, o instituto formado por 200 pesquisadores de 17 universidades do país e sediado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolvia atualmente cerca de 40 projetos na base brasileira na Antártica, voltados especialmente para os estudos de impactos ambientais na América do Sul, mudanças climáticas, meio ambiente marinho antártico e gestão ambiental. (Agência Estado)
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