O manifesto peemedebista de ataque ao PT e de protesto ao governo teve um resultado a mais para a cúpula do PMDB, além da exposição pública do desagrado da legenda pelo que considera baixa presença nos cargos do Executivo federal. Nascido por iniciativa de um grupo insatisfeito com o comando da bancada por Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o documento foi “adotado” por peemedebistas ligados ao líder como estratégia para camuflar a dissidência interna.
Não é de hoje que um grupo de deputados peemedebistas vem se queixando de que vários pleitos da bancada têm sido sacrificados em nome do projeto do líder de suceder Marco Maia na presidência da Câmara, em fevereiro de 2013. Na esteira da insatisfação, alguns dissidentes ensaiam candidaturas alternativas a de Alves para o comando da Casa.
Aliados do líder na bancada trataram de buscar neutralizar o documento como instrumento de disputa interna. Eles avaliaram que Henrique poderia ficar em situação delicada se o manifesto ficasse restrito apenas ao apoio do grupo dissidente. Paira sobre o líder o temor de que um possível enfraquecimento de sua posição possa colocar em risco a eleição à presidência da Câmara no próximo ano.
“Meia dúzia de oportunistas queria fazer um manifesto e criar um fato, mas usaram um argumento certo e resolvemos assinar (o documento). O pior era deixar crescer uma dissidência contra o Henrique”, afirmou um peemedebista. “Na prática, transformamos uma briga de rua em uma briga de uma rua contra outra rua”, resumiu um deputado aliado de Henrique Alves, referindo-se ao PT e ao Planalto, do outro lado da Praça dos Três Poderes.
O argumento certo, segundo os peemedebistas, é a concentração de cargos nas mãos do PT. O PMDB reclama da relação desigual e injusta do governo com o partido, em comparação com o PT.
O documento afirma que o PMDB não tem participado das decisões importantes de governo e, ao contrário, “é visível o esforço do governo para fortalecer o Partido dos Trabalhadores”. (Agência Estado)
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